Em sua edição de 21 de julho, o jornal Times revelou que a Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA) britânica havia acatado o pedido de um casal fértil que desejava usar o diagnóstico pré-implante a fim de selecionar um embrião que não carregasse um gene que predispõe os portadores a câncer de mama e ovários.
Até o momento, tanto no Reino quanto na França, a técnica de diagnóstico pré-implante só havia sido utilizada para prevenir o nascimento de crianças que se sabia com quase certeza serem portadoras de moléstias monogênicas de natureza especialmente grave, como a fibrose cística, a hemofilia ou patologias neuromusculares.
O sinal verde concedido pela HFEA autoriza uma equipe comandada pelo Dr. Paul Serhal no University College Hospital de Londres a utilizar o método. O médico acredita que a decisão signifique que a técnica de diagnóstico pré-implante possa a vir ser autorizado em outros casos nos quais o risco para a criança é de menos de 100%.
Ele acredita que o uso desse tipo de recursos permitirá que as anomalias genéticas sejam gradativamente eliminadas nas famílias sujeitas a risco de variedades de câncer geneticamente transmissíveis. No quadro do câncer hereditário de mama e ovário, estima-se que mutações do principal gene envolvido (o BRCA1) gerem risco de 60% a 80% de câncer de mama e de 40% para o câncer de ovário.
Na França, certos especialistas estão procurando autorização para o uso da técnica em casos de casais sujeitos a uma predisposição a certas variedades de câncer. O debate, que está sendo conduzido pelo Instituto Nacional do Câncer francês, não conseguiu determinar até o momento se esse tipo de procedimento seria admissível sob as leis vigentes no país.
Le Monde