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Pelas previsões iniciais, o foguete VSB-30 devia ser lançado na quarta-feira da base de Alcântara (Maranhão), para fazer um vôo suborbital no qual seria testado o efeito da ausência de gravidade em nove experiências científicas.
O lançamento foi atrasado inicialmente por "motivos de segurança", para aumentar as garantias durante a fase de acoplamento das partes do foguete, e depois, em duas ocasiões, por "razões meteorológicas". Estes adiamentos foram decididos apenas na última hora, inclusive após ter sido divulgado à imprensa o "sucesso" das operações de simulação.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) fez hoje um último teste parcial e a manutenção dos experimentos, tarefa que deve ser repetida a cada 48 horas e que exige que o corpo principal do foguete seja desmontado.
Agora, a AEB dispõe de outras cinco tentativas para lançar o foguete, antes do dia 19, quando a equipe de mais de 300 pessoas será dispensada para retornar às suas atividades normais, mesmo não tendo completado a missão.
A primeira destas tentativas será feita no sábado, mas poderia novamente ser adiada caso as condições meteorológicas não permitam a realização do teste.
O diretor do centro de lançamento de Alcântara, o coronel Rogério Veríssimo, disse que o lançamento pode ser condicionado pelo vento forte, pelo céu encoberto e pela chuva, que já obrigou a interromper a contagem regressiva várias vezes.
Nos últimos dias, choveu várias vezes em Alcântara, mas nunca durante as três horas que dura a "janela" de lançamento, nas quais o tempo ensolarado foi dominante.
O mês de julho é o último da temporada de chuvas no nordeste. Em São Luís, segundo dados oficiais, é registrada uma média mensal de precipitações de 175 mm.
Curiosamente, o governo federal, que pretende comercializar o lançamento de foguetes na base de Alcântara, diz que a "boa meteorologia" é uma das vantagens da base.
No auge da temporada de chuvas, entre fevereiro e abril, as precipitações chegam a ultrapassar os 400 mm, mais que o dobro da quantidade que está interrompendo o lançamento do foguete.
O responsável das operações, o coronel Olympio Achilles Mello, reconheceu que o tempo em uma região tropical "não está isento de mudanças rápidas", mas se mostrou otimista quanto ao sucesso do lançamento antes do dia 19.
Achilles disse que as previsões de tempo para sábado "devem estar melhores" do que as de hoje, quando Alcântara amanheceu entre sol e nuvens e com muito vento.
O foguete, que custou US$ 1,25 milhão e foi construído em conjunto com a Agência Espacial Alemã, é o primeiro que o Brasil tenta lançar no espaço depois da explosão de um veículo espacial propulsor de satélites que matou 21 técnicos e não chegou a decolar, em 2003.
O VSB-30, de 12 m de comprimento e 2,5 t de peso, viajará até 285 quilômetros de altitude, em um vôo de 20 min, com nove experiências científicas preparadas por universidades nacionais.
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