Inpe registra recorde de velocidade de um raio

07 de julho de 2007 • 21h17 • atualizado às 21h27
Cientistas fotografaram 63 raios para a pesquisa Foto: Reprodução
Cientistas fotografaram 63 raios para a pesquisa
07 de julho de 2007
Foto: Reprodução

Marcelo Pedroso
Direto de São José dos Campos

Brasil


Câmeras fotográficas ultra-sensíveis utilizadas por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo, conseguiram documentar no verão deste ano detalhes da formação de um raio que chegou ao solo a uma velocidade de 1.980 km/seg.

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O recorde de velocidade, suficiente para cruzar em menos de um segundo os 1.962 km que separam São Paulo de Salvador, na Bahia, integra o novo estudo dos pesquisadores do Laboratório de Eletricidade Atmosférica (Elat). Os resultados de 63 raios, registrados com precisão em cerca de 400 tentativas, serão apresentados em agosto, na China, durante a Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica.

Os números coletados na pesquisa indicam médias de velocidade de 246 km/seg para raios com carga positiva e 304 km/seg para as descargas com polaridade negativa. Para obter esses resultados, as análises do grupo se concentraram no "líder escalonado", um dos componentes na formação da descarga elétrica.

O fenômeno do raio torna-se visível ao olho humano somente após um encontro de energia que ocorre entre 50 m e 100 m acima do solo. "Da nuvem, sai o que chamamos de líder escalonado, que se encontra com a descarga conectante, emitida pelos objetos no solo que estão mais altos, como uma árvore, por exemplo", disse o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior.

Segundo o pesquisador, somente com câmeras fotográficas de alta sensibilidade e velocidade é que foi possível identificar esse fenômeno e captar o tempo de percurso das descargas. "Uma câmera normal tem capacidade para captar 30 quadros por segundo. Desde 2000, utilizamos equipamentos que chegam até a 8 mil quadros por segundo."

As duas únicas câmeras deste tipo em operação na América do Sul foram empregadas na captação de imagens de raios durante o verão deste ano em São José dos Campos; Uruguaiana, no Rio Grande do Sul; Londrina, no Paraná; e Xanxerê, em Santa Catarina.

Dos 63 raios registrados, quatro foram de cargas positivas, extremamente raros. "Para se ter uma idéia, desde o início das pesquisas em todo mundo, existe somente uma imagem de um raio com carga positiva, que foi captada em 1967", disse Marcelo Saba, autor da pesquisa.

Recorde digno de Guinness
Um raio de grande duração é outro recorde captado pelas lentes dos pesquisadores, segundo Saba. "Pensamos até em colocá-lo no Guinness. A conexão de um raio dura até 2 milissegundos, em média. Este raio que identificamos durou 727 milissegundos, quase um segundo", afirmou.

Saba defende que este trabalho pode servir de base para aplicações práticas, em especial às relacionadas à proteção de circuitos eletrônicos. "Se você quiser fazer alertas ou desenvolver sistemas inteligentes contra descargas elétricas, você tem de saber qual é o seu tempo de resposta em função da velocidade do raio", disse ele.

O próximo desafio a ser encarado pela equipe de pesquisadores do Elat será o de obter uma imagem tridimensional de um raio, utilizando as duas câmeras ao mesmo tempo. Leandro Zanella de Souza Campos, auxiliar da pesquisa, segue em agosto para os Estados Unidos com os equipamentos, onde tentará a primeira reconstituição tridimensional de raios, em parceria com pesquisadores da Universidade do Arizona.

"Como eles não têm estas câmeras, vamos aproveitar o período de verão americano para fazer a pesquisa", disse Campos.

Redação Terra
 
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