Médico examina raio X da perna do cão |
Sara Crocker
Do Denver Post, em Fort Collins, Colorado
Estados Unidos
Na tarde da terça-feira, ela chegou ao hospital veterinário da Universidade Estadual do Colorado, onde os veterinários determinarão se ela é candidata a uma cirurgia experimental que lhe propiciaria uma prótese de perna. A perna prostética seria fundida ao osso, a esperança é de que novos músculos se desenvolvam em torno da haste metálica que forma sua peça central.
Caso o implante da prótese obtenha sucesso, o procedimento poderia ter implicações para soldados que tenham perdido membros nas guerras do Iraque e do Afeganistão, disse na quarta-feira Eric Egger, veterinário da Universidade Estadual do Colorado. "Somos todos basicamente o mesmo animal", disse. "O cachorro serve como ótimo campo de provas".
Sally perdeu parte de sua pata traseira esquerda, logo acima da junta do tornozelo, há cerca de três ou quatro meses, de acordo com a avaliação dos veterinários. O protocolo usual seria amputar o restante da pata. Steve Holden, voluntário da Sociedade de Proteção ao Bem-Estar Animal que estava trabalhando no Kuwait e é morador de Fort Collins, se encantou com a alegria da cadela e decidiu que procuraria uma segunda opinião. Holden diz que pensou imediatamente no renomado programa de veterinária da Universidade Estadual do Colorado.
Embora alguns cachorros não aceitem próteses facilmente, Eggers disse que Sally era boa candidata. "Creio que ela age como se estivesse interessada", disse.
Enquanto a cadela caminhava pelos corredores do Hospital Veterinário de Aprendizado James Vossa, o toco de sua parte traseira se arrastava atrás dela nos assoalhos azulejados. "Ela já está tentando usar a pata", disse Egger.
O plano é implantar uma peça metálica em forma de L na pata da cadela, semelhante às peças usadas em cirurgias de implante de bacia, disse Eggers. Ao contrário das cirurgias de bacia em seres humanos, porém, a extremidade da peça usada na prótese canina ficará para fora da perna, permitindo que a prótese de pata seja afixada.
Egger, que nunca conduziu uma cirurgia que inclua elementos externos, diz que está otimista quanto ao método. "Pode ser excelente, caso funcione direito", disse. "Poderíamos descobrir muita coisa".
Para encorajar o crescimento de tecidos em torno da prótese, a peça final será texturizada e recoberta de produtos químicos, segundo Egger. Antes da operação, a equipe precisa criar um modelo da para e descobrir como melhor conduzir o implante, ele afirmou. Provavelmente serão precisos alguns meses de trabalho antes da cirurgia.
Já que essa espécie de prótese é nova, é difícil dizer de que material a peça será produzido ou qual será seu custo, disse Egger. Sally provavelmente ficará na casa do veterinário, em companhia de seus quatro cachorros, durante o longo processo de recuperação.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
The New York Times