Desertificação pode criar 50 milhões de refugiados

27 de junho de 2007 • 16h53 • atualizado às 17h48

O fracasso de políticas anteriores no combate à desertificação pode fazer com que, na próxima década, 50 milhões de pessoas se transformem em refugiados na busca por melhores condições de vida, diz um relatório da ONU. Zafar Adeel, autor principal do estudo e diretor da Rede Internacional sobre Água, Meio ambiente e Saúde da ONU, com sede no Canadá, disse que o estudo traz a desertificação como o maior desafio ambiental de nosso tempo.

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O relatório "Re-avaliar políticas para agüentar a desertificação" diz que este fenômeno atinge hoje em dia entre 100 e 200 milhões de pessoas no mundo todo ao reduzir de forma persistente sua capacidade para obter alimentos, água e outros serviços essenciais. O que é mais grave é que a desertificação pode afetar diretamente, nos próximos anos, 2 bilhões de pessoas, um terço da população total do planeta, caso não se iniciem políticas globais para combatê-la.

Adeel disse que o relatório é fruto de uma conferência internacional realizada em dezembro de 2006 na cidade de Argel, na qual cerca de 200 especialistas estudaram as políticas internacionais para combater a desertificação. "A conclusão à qual se chegou é que as políticas em andamento não estão funcionando", declarou Adeel.

"As razões são que os políticos foram incapazes de ver a relação entre pobreza e migração com desertificação, a falta de coordenação e diversidade de planejamentos", declarou. O fracasso de políticas anteriores e a crescente mudança climática fizeram com que a situação se aproxime de um ponto explosivo, com milhões de pessoas em perigo de abandonarem suas regiões de origem na busca de sustento.

O professor Janos Bogardi, outro dos autores do relatório, apresentou o exemplo de Mali, com uma população de 11 milhões de pessoas, onde a desertificação obrigou mais de 3 milhões a emigrarem para a Costa do Marfim.

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