Ciência quer criar capa de invisibilidade de Harry Potter

22 de maio de 2007 • 13h37 • atualizado às 14h37

Para o personagem Harry Potter, nada é mais simples do que fazer um objeto se tornar invisível. Mas agora o simpático aprendiz de bruxo tem um rival: a tecnologia, que pretende apresentar em dois anos os primeiros protótipos de uma capa de invisibilidade.

Partindo "das freqüências da luz visível, é imaginável a criação de um dispositivo probatório em um prazo de cinco anos, ainda que as aplicações práticas levem mais tempo", afirmou John Pendry, o teórico britânico que há um ano dedica sua carreira à invisibilidade. Em outubro passado, Pendry e seus colegas conseguiram ocultar um cilindro de cobre de pouco mais de 10 cm ao iluminá-lo com um feixe de luz eletromagnética.

A experiência não funcionava à luz visível, mas no espectro de freqüências de radar e se limitava a duas dimensões para simplificar o experimento. Com isso, ficou demonstrado que a invisibilidade não é fruto apenas da imaginação dos escritores.

A luz tem tendência a se deslocar em linha reta. Albert Einstein foi o primeiro a demonstrar que essa trajetória poderia ser curva pelo poder gravitacional de uma estrela. Alguns materiais, como a água, também possuem a propriedade de desviar a direção da luz. Mas, para que a luz se esquive de um volume pré-definido - cujo conteúdo ficaria oculto dos olhares para todos os ângulos de visão -, é preciso que se recorra a materiais que ainda não foram inventados: os "metamateriais".

Assim como a água do rio muda seu curso quando encontra uma rocha, as ondas luminosas também seguem seu caminho sem obstáculos, mas com um ângulo diferente. A técnica aplicada, no entanto, é bastante diferente da utilizada para ocultar aviões de guerra, algo que se consegue reduzindo ao máximo as ondas que eles refletem.

Quando se introduz um pedaço de pau na água, se tem a impressão de que ele está quebrado. Os metamateriais deveriam, portanto, ter um índice de refração negativo. "Não existe em estado natural nenhum material com índice negativo", afirmou Frédéric Zolla, do Instituto Fresnel de Marsella. A solução para isso seria a estruturação de materiais existentes para dar a eles essa propriedade.

A natureza mostra o caminho a seguir, com o nácar - substância encontrada no interior das ostras - ou os élitros - asas traseiras - dos insetos. "Suas cores mutáveis não se devem a pigmentos, mas sim a microestruturas que refletem a luz de forma diferente", ressaltou o pesquisador.

Como as ondas infravermelhas dos radares têm apenas alguns milímetros de longitude, é relativamente fácil inventar um material com capacidade para desviá-las, como no experimento de Pendry. Alguns pesquisadores adiantam que não será possível obter a invisibilidade no conjunto das freqüências eletromagnéticas e, principalmente, que é impossível um aprendiz de bruxo conseguir ver o que acontece no exterior de sua capa.

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