Encontrados insetos raros na Mata Atlântica de SC

20 de maio de 2007 • 18h24 • atualizado às 19h01
A descoberta foi feita durante uma pesquisa sobre a fauna relacionada às bromélias Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra
A descoberta foi feita durante uma pesquisa sobre a fauna relacionada às bromélias
20 de maio de 2007
Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis

Santa Catarina


Novas espécies de besouros, libélulas e vários outros insetos foram descobertas por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) durante uma pesquisa sobre a fauna relacionada às bromélias. Conhecida por sua utilização como enfeites e chamada muitas vezes de "abacaxi colorido", a bromélia, encontrada na Mata Atlântica, é o centro de pesquisa dos profissionais.

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Planta hospedeira, a bromélia realiza um trabalho essencial para o ecossistema e chega a ser responsável pela vida de aproximadamente 300 espécies diferentes. Na pesquisa, os professores analisaram as bromélias nas florestas secundárias e primárias da região de Florianópolis. Eles pesquisaram as espécies que utilizam as águas acumuladas na planta ou seu fruto para se alimentar.

Segundo a professora Josefina Steiner, foi registrada nas últimas semanas uma espécie de besouro extremamente raro, o surutu jelineki. Só há dois exemplares da mesma espécie registrados no mundo, ambas no Hemisfério Norte. "Também temos uma ninfa de libélula que foi notificada recentemente e que só é registra em bromélias", destaca.

Steiner conta que a pesquisa mostra a importância das bromélias para o meio ambiente. A planta pesquisada - que só gera uma flor em toda a vida - abriga uma quantidade inimaginável de insetos, larvas, e espécies predadoras. "Formigas, vespas, abelhas utilizam a bromélia para ninhos", conta a professora. "Animais vertebrados utilizam a flor e frutos para se alimentarem, como é o caso do beija-flor".

A pesquisa foi desenvolvida pelo Laboratório de Entomologia Médica e pelo Laboratório de Abelhas Nativas (Lanufsc), ambos do Centro de Ciências Biológicas, faz parte de um programa chamado "Mata Atlântica", que reúne outros quatros estudos sobre a conservação e o uso da floresta. "mostramos com esse tipo de pesquisa, o quanto uma bromélia é importante para o ecossistema", destaca a professora. "São mais de trezentas espécies, algumas raríssimas, que dependem de uma simples bromélia para continuarem a viver".

As bromélias dão flores uma vez por ano e desabrocham no inverno. Suas pétalas estruturam-se como se fossem a parte espinhenta do abacaxi, em lâminas. Sobrevivem em ambientes com pouca luz, como o interior da Mata Atlântica, e acumulam muita água entre suas pétalas. "São nesses locais que espécies de insetos, aranhas, larvas e protozoários microscópicos encontram alimentos para continuar a viver", finaliza Steiner. "As bromélias são fundamentais para o ecossistema e equilíbrio da uma floresta".

Redação Terra
 
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