Pesquisa: estresse afeta sobrevivência e reprodução

14 de maio de 2007 • 23h03 • atualizado em 15 de maio de 2007 às 00h46

Os indivíduos com respostas fisiológicas mais fortes a uma fonte de estresse são menos capazes de sobreviver e se reproduzir, segundo a pesquisa de uma equipe espanhola que será publicada amanhã pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), dos Estados Unidos.

A falta de comida e a presença de predadores figuram entre as causas de estresse analisadas pelos pesquisadores no trabalho. As conclusões demonstram pela primeira vez em vertebrados que a resposta ao estresse, ou seja, a maior produção de hormônios como a corticosterona e o cortisol, é extremamente relevante em termos de eficiência biológica.

O fenômeno era "desconhecido até o momento fora de laboratório", explicou Julio Blas, um dos cientistas da Estação Biológica de Doñana, ligada ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha.

Segundo Blas, a exposição ao estresse crônico exerce um impacto negativo sobre a saúde e o bem-estar dos animais e do homem. Existe "uma considerável variação" na resposta fisiológica de diferentes indivíduos diante da mesma fonte de estresse. Mas até agora não eram conhecidas as suas conseqüências, acrescentou.

Blas detalhou que a maior parte do trabalho se baseia no estudo da secreção de glucocorticosteróides, hormônios marcadores da resposta fisiológica ao estresse, em filhotes de cegonha de uma colônia de reprodução.

Durante os cinco anos seguintes, os cientistas realizaram um acompanhamento individualizado da sobrevivência e da reprodução das aves. Os pesquisadores sugerem que as diferentes estratégias de manejo do estresse nas populações de vertebrados estão ligadas a tipos de personalidade. A variação se mantém porque a intensidade e os fatores de estresse não são constantes. Eles mudam ao longo do tempo e dentro da espécie.

As personalidades proativas, ou seja, os indivíduos atrevidos ou agressivos, mostram uma moderada resposta adrenocortical ao estresse, mas uma grande reação simpática (adrenalina-noradrenalina), que leva à fórmula "lutar ou fugir". As personalidades reativas (os tímidos, cooperativos e não agressivos) têm uma elevada resposta adrenocortical ao estresse e moderada resposta simpática, que se traduz em "esconder-se e ficar imóvel".

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