Descoberto fóssil da árvore mais antiga do mundo

18 de abril de 2007 • 19h02 • atualizado às 19h23

Caçadores de fósseis americanos encontraram a mais antiga árvore conhecida, semelhante a uma palmeira gigante, da espécie denominada Wattieza, que viveu 380 milhões de anos atrás. Sua descoberta resolve um enigma que consumia os paleobotânicos há 137 anos e lança luz sobre como as florestas esculpiram lentamente, mas poderosamente, a paisagem terrestre, informaram os exploradores.

Pedaços de Wattieza já haviam sido encontrados antes, mas as novas descobertas confirmam sua impressionante semelhança com a samambaia moderna. Ela tinha um tronco fino, semelhante ao de uma palmeira, e no topo, um tufo de frondes (folha de palmeira), um sistema que, de forma inteligente, conservava os recursos para promover o crescimento vertical de forma que a árvore pudesse se destacar entre as copas das outras árvores e captar luz solar.

Ela tinha apenas um pequeno sistema de raiz, se reproduzia através de esporos e provavelmente chegava aos 10 m de altura quando adulta. A Wattieza se originou no período Devoniano Médio, de 397 a 385 milhões de anos atrás, que foi uma época crítica na evolução das primeiras plantas terrestres.

Quando estes espécimes de Wattieza viviam, a vida terrestre na região se limitava a pequenos artrópodes, um filo animal que inclui insetos, aranhas e crustáceos. "As árvores precederam os dinossauros em 140 milhões de anos", explicou o paleontólogo Ed Landing, um dos autores do artigo. "Não havia nada voando, nem répteis, nem anfíbios" no mundo, acrescentou.

O artigo será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature. Em junho de 2004, Linda VanAller Hernick e Frank Mannolini, do Museu do Estado de Nova York, encontraram a coroa fossilizada de uma enorme árvore em uma mina de calcário de Nova York que já foi um sítio abundante de fósseis de plantas e artrópodes.

Correndo contra o relógio, já que a mina estava prestes a ser explorada para retirar pedras para o conserto de rodovias, os dois utilizaram uma serra industrial, uma picape e uma grua para extrair o espécime de 200 kg.

Depois de obter autorização para continuar explorando o local, no ano seguinte os cientistas escavaram um tronco de árvore da mesma espécie, retirando-o fragmento por fragmento e montando-o como se fosse um quebra-cabeça fossilizado de 8 m. A dupla descreveu os espécimes em seu artigo como simplesmente "espetaculares".

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