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Esta é a mensagem transmitida hoje pela Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO) durante as comemorações do Dia da Água, que neste ano concentram-se na necessidade de enfrentar a falta desse recurso. A falta de água é "uma ameaça para o desenvolvimento social e econômico do mundo e para a sustentabilidade do meio ambiente", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Segundo o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, "enfrentar a escassez de água é o problema do século XXI". Cerca de 2,8 bilhões de pessoas sofrem com algum tipo de falta de água. Em 2025, dois terços da população mundial serão atingidos, sendo que 1,8 bilhão destes enfrentarão uma "falta drástica".
Existe o potencial para dar a todos "um fornecimento adequado e sustentável de água de qualidade, hoje e no futuro", mas é uma responsabilidade conjunta aceitar o desafio e resolver hoje a crise mundial de água, advertiu Diouf.
A principal dificuldade está em encontrar formas mais efetivas de conservar, utilizar e proteger os recursos hídricos em nível global. A agricultura utiliza 70% de toda a água doce no mundo, desempenhando "papel decisivo" para a boa gestão dos recursos hídricos mundiais, acrescentou o diretor-geral da FAO.
Para conseguir a segurança alimentar no mundo todo, os agricultores têm que encontrar formas de produzir mais comida com menos água. Uma pessoa que bebe diariamente de dois a cinco litros de água, na realidade "ingere" mais de dois mil litros, que é a quantidade necessária para a produção dos alimentos que consome.
Um quilo de carne de vaca alimentada com grãos requer entre 13 mil e 15 mil litros, e um quilo de trigo requer de mil a 2 mil litros. Segundo Diouf, a falta de água potável e de infra-estruturas sanitárias básicas está estritamente ligada à pobreza, por isso a água tem papel fundamental no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU.
A falta de água gera problemas e competição entre usuários, setores econômicos, países e regiões que compartilham os mesmos recursos, afirmou Diouf. O ministro do Meio Ambiente italiano, Alfonso Pecoraro, alertou que a falta de gestão responsável da água pode "multiplicar as guerras", e afirmou que a água é um dos pontos a serem resolvidos no conflito palestino-israelense. Por isso, é preciso evitar que outras regiões "tenham problemas semelhantes", disse.
O comissário de Desenvolvimento da União Européia (UE), Louis Michel, disse que uma boa gestão regional dos recursos hídricos é de "importância capital" para prevenir conflitos e catástrofes naturais. A disponibilidade de água potável também é ameaçada pelas mudanças climáticas, fenômeno que, segundo previsões, deve ter uma incidência de 20% nos futuros problemas de escassez de água, acrescentou Diouf.
Um dos continentes mais atingidos é a África, onde calcula-se que haverá 25 países com "grande escassez" de água em 2025, segundo a ministra do Meio Ambiente de Uganda, Maria Mutagamba. Segundo Mutagamba, o continente está se esforçando para compartilhar os recursos hídricos, mas, para isso, precisam de ajuda "em forma de varas de pescar, e não de peixes".
O Papa Bento XVI, em mensagem lida pelo monsenhor Renato Volante, disse que a água é "um bem comum da família humana" e um direito inalienável, e "não pode ser usada como simples mercadoria", mas de maneira "racional e solidária". A italiana Rita Levi Montalcini, vencedora do prêmio Nobel, falou da importância da educação - principalmente das meninas - nos países pobres, para que fiquem conscientes dos problemas que enfrentarão no futuro em relação à água e saibam enfrentá-los.
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