Achado crânio de dinossauro mais antigo do mundo

22 de setembro de 2003 • 13h13 • atualizado às 13h13

O ministro de Energia e Minas do Marrocos, Mohamed Butaleb, anunciou hoje em Rabat, a descoberta do crânio de dinossauro mais antigo do mundo na localidade de Tazuda, situada 70 quilômetros a nordeste de Uarzazat (530 quilômetros ao sul de Rabat). Os primeiros indícios da existência deste novo saurópode (dinossauro quadrúpede herbívoro), batizado de Tazoudasaurus Naimi, foram detectados em 1998, embora as principais descobertas, como a da mandíbula do animal, tenham acontecido em 2002.

Desde então, uma equipe de paleontólogos e geólogos marroquinos, franceses e suíços descobriram mais de 400 ossos de diferentes animais, entre os quais estão do "Tazoudasaurus Naimi. Os ossos, em parte articulados, desse dinossauro primitivo, compreendem parte do crânio, em particular uma das mandíbulas que conserva 17 dos 20 dentes originais, vértebras cervicais, e dorsais, diferentes ossos dos membros e parte da cauda.

Segundo os cientistas responsáveis pela descoberta, esses ossos, encontrados em diferentes regiões, datam do Jurássico Inferior, há 180 milhões de anos. O Tazoudasaurus Naimi, que achegava a um comprimento de nove metros e cuja mandíbula media 40 centímetros, é também o mais antigo ancestral conhecido dos Braquiosaurios e Diplodocus que povoaram a América do Norte durante o Jurássico superior.

Esse parentesco se explica porque há 180 milhões de anos o Oceano Atlântico não existia e a região do Alto-Atlas marroquino, onde foram encontrados os ossos, estava unida ao atual Estados Unidos, concretamente a Carolina do Norte. Segundo o paleontólogo e membro da Academia de Ciências da França, Philippe Taquet, só existem ossos mais antigos que os do saurópode marroquino na China, mas eles carecem de crânio e, além disso, este animal ainda não pôde ser catalogado.

O professor Taquet explicou além disso que depois de comparar o crânio com os 29 tipos de saurópodes conhecidos, ficou provado que o Tazoudasaurus tem parentesco com outro dinossauro da mesma época, o Vulcanodon, encontrado no Zimbábue. No entanto, como afirmou o paleontólogo, os ossos do Vulcanodon também não têm crânio, por isso o Tazoudasaurus é atualmente "o saurópode primitivo mais completo e melhor conhecido".

Philippe Taquet, que ressaltou a "novidade científica" que o Tazoudasaurus representa, insistiu também na grande importância do local no qual esse esqueleto foi encontrado. Neste local, no qual existem atualmente três escavações, foram descobertos ossos que segundo o cientista "pertencem aos dinossauros carnívoros que eram os predadores do Tazoudasaurus".

Taquet disse que com a descoberta é "mais um passo no conhecimento da epopéia dos grandes dinossauros, sobretudo dos que viveram na América, e a partir de agora nossos colegas americanos precisrão vir ao Marrocos". Outro dos especialistas que participaram das escavações, o geólogo Michel Monbaron, afirmou que o Marrocos é "um paraíso para os caçadores de dinossauros".

O ministério das Minas e Energia do Marrocos, em colaboração com diferentes instituições marroquinas e estrangeiras, vai iniciar um programa de conservação e de valorização do patrimônio desses locais. Entre as medidas previstas por esse projeto está a de criar um parque geológico na região que também servirá, segundo o ministro Butaleb, "para reaquecer a economia da região".

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