Turismo pode destruir ruínas em Machu Picchu

09 de março de 2007 • 16h53 • atualizado às 17h10

Um geólogo ambiental do Instituto Geológico Mineiro e Metalúrgico do Peru (Ingemmet) assinalou à Efe que os 3 mil visitantes diários que vão ao santuário e o fluxo contínuo de ônibus e trens "poderiam provocar assentamentos no terreno" da cidade inca de Machu Picchu, ou seja, uma queda em sua estrutura.

Segundo Patrício Valderrama, os riscos sofridos devido à afluência em massa de turistas se reduziriam se o acesso ao santuário fosse fechado dois dias por semana. Isso está acontecendo porque as rochas graníticas que formam a montanha na qual fica Machu Picchu "estão muito rachadas, o que provocou alguns deslizamentos na superfície da terra", detalhou Valderrama.

Ele acrescentou que estão sendo feitos estudos para determinar quantas pessoas poderiam subir a Machu Picchu por dia e, embora esse número não esteja ainda fixado, assinalou que "seria prudente estabelecer dois dias por semana de descanso ao terreno". Segundo o cientista peruano, esses riscos, por ação natural, foram identificados pelos incas, que fizeram "plataformas, terraços, muros de contenção e sistemas de drenagem muito funcionais para evacuar a água das chuvas".

No entanto, "com a passagem dos anos não se cuidou destes sistemas e eles já não drenam as águas, o que provocou a volta de pequenos problemas no terreno", destacou o cientista. Valderrama acrescentou que, se essas construções incas não forem cuidadas e reparadas, algumas das estruturas mais representativas da cidadela, como o Torreão, o Templo das Três Janelas e a Praça Principal, "poderiam ficar comprometidas", com a perda de resistência da superfície na qual estão situados.

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