Como o soro da verdade funciona?

18 de setembro de 2003 • 08h11 • atualizado às 08h11
 Foto: Terra
18 de setembro de 2003
Foto: Terra

A expressão soro da verdade faz mais referência ao efeito que se procura com seu uso do que a uma substância específica, já que muitas substâncias químicas diferentes foram utilizadas como soro da verdade ao longo da história. São muitos os exemplos: pantotal sódico, amital sódico, amobarbital sódico, sodiopentathol, LSD (ácido lisérgico) e inclusive o ecstasy.

O mesmo efeito é procurado com a utilização de todas estas substâncias: desinibir o indivíduo e retirar qualquer barreira moral e ética, deixando-o indefeso para que responda a qualquer pergunta sem nenhum tipo de restrição.

Alguns defendem que este procedimento viola os direitos naturais e adquiridos do preso como o direito à liberdade de confissão. A Anistia Internacional sustenta que o emprego de drogas da verdade com propósitos de espionagem pode violar tratados internacionais e a Convenção contra a Tortura.

O mais importante é que, do ponto de vista científico, o soro da verdade não é totalmente confiável. Trata-se de um meio inadequado para obter uma confissão objetiva e verdadeira, pois algumas pessoas podem dissimular a realidade mesmo sob os efeitos dessas drogas. Além disso, outras vezes, pode manifestar-se como fatos consumados coisas que, na realidade, são desejos reprimidos ou sonhos fantásticos que saem à luz justamente devido ao efeito das drogas e que o indivíduo vive como reais.

O soro da verdade é procurado há decênios. As primeiras referências a estes efeitos desinibidores são encontradas no ano de 1936 quando o Dr. Horsleuy inicia a narcoterapia utilizando o pentotal sódico EV lento que, ao ser injetado, provoca estado de semi sonolência, momento no qual a terapia podia iniciar já que o pentotal apagava as habituais barreiras inibitórias que todos possuímos. Daí veio o nome de soro da verdade.

Num âmbito completamente diferente, o militar, os especialistas americanos em espionagem, sabendo que os submetidos a torturas podiam simplesmente dizer ao interrogador o que este queria ouvir, procuravam ansiosamente um soro da verdade para extrair informações verídicas.

Em 1942, o Escritório de Serviços Estratégicos, organização antecessora à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), pediu aos cientistas que desenvolvessem uma substância química que pudesse acabar com as defesas psicológicas dos espiões inimigos e dos prisioneiros de guerra. Após experimentar diversos compostos como soro da verdade, os cientistas selecionaram um potente extrato de maconha, que recebeu o nome codificado de TD (Truth Drug, droga da verdade em inglês). Posteriormente, a CIA usou como soro da verdade o LSD (ácido lisérgico) durante a Guerra Fria, enquanto, no âmbito público, propagava-se sua utilidade psicoterapêutica e lúdica. O uso do LSD não se mostrou útil já que não se podia garantir que o indivíduo ficasse realmente liberado de suas defesas. Depois de numerosas provas e erros, a CIA descartou essa substância e concluíram que seria mais eficiente empregar o LSD como ajuda para o interrogatório, ameaçando os suspeitos com a possibilidade de deixá-los loucos ou com alucinações permanentes a menos que aceitassem falar. Ainda que escassamente, o LSD foi utilizado com esta função desde meados dos anos 50.

O ectasy (metilenodioximetanfetamina ou MDMA) também foi utilizado como soro da verdade por parte dos norte-americanos nos anos 50. A substância tinha sido descoberta anteriormente pelos químicos alemães Mannish e Jacobson, que a sintetizaram em 1910. Dois anos depois, a companhia Merck a patenteou como redutor de apetite, mas nunca chegou a ser comercializada. Os efeitos psicoativos só foram descritos, pela primeira vez, em 1957 e a droga chegou às ruas para consumo nos anos sessenta.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »