Seqüenciado genoma do causador da esquistossomose

15 de setembro de 2003 • 20h47 • atualizado às 20h47

Pesquisadores brasileiros anunciaram hoje o seqüenciamento do genoma do parasita Schistosoma mansoni, que causa a esquistossomose. O estudo está na edição de outubro da revista Nature Genetics.

O estudo é assinado por 37 pesquisadores ligados a nove laboratórios da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto Butantan e do Instituto Adolpho Lutz - todos integrados à rede ONSA, sigla em inglês para Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos, criada em 1997 pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O projeto começou em junho de 2001, coordenado por Sérgio Verjovski-Almeida, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), e financiado pela Fapesp e pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). As duas instituições dividiram igualmente o investimento de US$ 1 milhão, que incluiu gastos com reagentes e bolsas de técnicos de nível superior.

O conhecimento mais detalhado do parasita causador da esquistossomose permitirá aos pesquisadores buscar novos alvos para o desenvolvimento de drogas mais eficazes e vacinas contra a doença. O estudo aponta 45 novos genes alvo para estudo de drogas, além de 28 novos genes alvo para desenvolvimento de possíveis vacinas.

A esquistossomose atinge cerca de 75 países em todo o mundo (o Brasil entre eles), quase todos subdesenvolvidos. São 200 milhões de pessoas infectadas a cada ano entre as 600 milhões que vivem em áreas de risco para contrair a doença. A cada ano, de 300 mil a 500 mil pessoas morrem vítimas da doença.

Além do seqüenciamento do genoma do Schistosoma mansoni por especialistas brasileiros, a edição de outubro da Nature Genetics traz também projeto realizado pelo Centro Nacional Chinês do Genoma Humano e apoiado pelo governo da China: o seqüenciamento genético do Schistosoma japonicum, a espécie do parasita que causa hemorragia urinária em indivíduos dos países do Oriente.

Em número de seqüências genéticas, o projeto chinês produziu um quarto do que foi identificado pela rede brasileira e estudou apenas dois dos seis estágios do ciclo de vida do parasita, enquanto o projeto nacional estudou todas as fases do ciclo da espécie mansoni.

Redação Terra
 
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