Clima sentirá por mais de milênio ação do homem

02 de fevereiro de 2007 • 13h38 • atualizado às 14h39

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), apresentado hoje, em Paris, aponta que, transtornos meteorológicos, como freqüentes ondas de calor, furacões ou secas, serão sentidas por mais de um milênio. De acordo com a ONU, o homem alterou o clima, e suas crescentes emissões de dióxido de carbono e outros gases e isso provocará um perigoso aumento da temperatura da Terra.

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O texto, o quarto publicado pelo organismo da ONU, alerta que a Terra experimentará no século XXI um aquecimento global de 1,8 a 4ºC, com uma elevação do nível do mar entre 18 a 59 centímetros e a intensificação de devastadores fenômenos meteorológicos.

Segundo os quase 500 cientistas do IPCC, reunidos em Paris durante uma semana, o aquecimento do planeta se deve, com 90% de probabilidade, às emissões de dióxido de carbono e outros gases que causam o efeito estufa provocado pela mão do homem. O IPCC afirmou ainda que as emissões passadas e futuras de CO2 continuarão contribuindo para o aquecimento global e a elevação do nível dos mares durante mais de um milênio, levando em consideração sua permanência na atmosfera.

O informe deste importante grupo de especialistas, que deve pautar nos próximos cinco anos as decisões dos governos em termos de meio ambiente, é o mais alarmante dos elaborados até agora pelo IPCC, por deixar claro que o aquecimento global é uma realidade causada quase que com toda certeza pela ação do homem.

"O aquecimento global é um fato e é realmente forte. Tudo o que nos cerca, os oceanos ou a diminuição da neve, comprova este fenômeno", declarou o especialista francês Jean Jouzel. Se os países não adotarem os meios para reduzir a poluição da atmosfera, a temperatura média pode aumentar até 6,4%. Este percentual é uma média, o que significa que existirão enormes diferenças entre regiões e zonas mais castigadas que outras, como os pólos, que sofrerão importantes degelos.

Além disso, com o aumento da temperatura da Terra, também subirá o nível da água. Tudo isto provocará alterações climáticas inesperadas e terríveis como ondas de forte calor, inundações cada vez mais freqüentes, ciclones tropicais, tufões e furacões provavelmente mais intensos e comuns, a diminuição dos recursos de água potável, secas severas e o desaparecimento de importantes superfícies férteis.

Estas transformações obrigarão milhões de pessoas a abandonar suas casas e o número de refugiados do clima será superior ao de refugiados de guerra, alertam alguns especialistas. O aumento de 40 centímetros no nível dos oceanos significará que 200 milhões de pessoas terão que abandonar suas casas e locais de moradia, acrescentaram.

O informe explica ainda como a concentração de dióxido de carbono na atmosfera causa o efeito estufa. Atualmente, a concentração de CO2 na atmosfera é de 380 partes por milhão, contra 270 partes por milhão (ppm) registradas em 1750. Segundo o IPCC, em hipótese alguma pode chegar a 550 ppm. Em números globais, em cinco anos, as emissões de CO2 passaram de 6,4 bilhões de toneladas para 7,2 bilhões, o que demonstra que a comunidade internacional está longe de mudar seu comportamento.

O IPCC, criado em 1988 pela ONU e a Organização Meteorológica Mundial com o objetivo de servir de mediador entre os cientistas e os governantes, é provavelmente a voz mais respeitada no assunto e tem por missão advertir os líderes mundiais. Diante das previsões desalentadoras, os cientistas esperam que a comunidade internacional apresente uma resposta vigorosa e unida que leve à continuidade do Protocolo de Kyoto, destinado a reduzir as emissões de dióxido de carbono, cuja primeira fase expira em 2012. No entanto, este protocolo ainda não foi ratificado pelos Estados Unidos, o maior poluidor mundial.

De acordo com a organização ecológica Greenpeace, o informe do painel intergovernamental aciona o "sinal de alerta" necessário para impulsionar os governos à ação. "Se o último relatório do IPCC, em 2001, nos fez acordar, este é um sinal de alerta. A boa notícia é que nossa compreensão do sistema climático e do impacto humano melhorou, a ruim é que nosso futuro parece muito perigoso", afirma a organização em um comunicado.

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