Grupo paga para cientistas questionar relatório

02 de fevereiro de 2007 • 09h58 • atualizado às 12h05

O American Enterprise Institute (AEI), centro de estudos conservador financiado por uma das maiores petrolíferas do mundo, ofereceu US$ 10 mil a cientistas e economistas para que ponham em xeque o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A informação é do jornal britânico The Guardian.

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De acoddo com o jornal, o grupo, financiado pela ExxonMobil e com estreitas ligações com o governo de George W. Bush, ofereceu dinheiro aos autores de artigos para que apontem os erros do relatório, que alerta para um aumento da temperatura global de entre 2 e 4,5ºC até o final do século.

O American Enterprise Institute recebeu mais de US$ 1,6 milhão da companhia petrolífera americana, e mais de 20 pessoas de sua equipe trabalharam como assessores para o atual governo. O ex-presidente da ExxonMobil Lee Raymond é atualmente vice-presidente do patronato desse centro de estudos.

Cientistas britânicos e americanos receberam cartas do AEI nas quais era oferecido dinheiro por artigos que questionassem o relatório do IPCC, afirma o jornal. As cartas acusam o grupo intergovernamental que elaborou o relatório de resistir às "críticas racionais" e de "chegar a conclusões precipitadas e insuficientemente apoiadas no trabalho analítico".

David Viner, da Seção de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia, classifica a iniciativa do instituto como "tentativa desesperada de uma organização que quer confundir as provas científicas em benefício de seus objetivos políticos".

As cartas foram enviadas por Kenneth Green, colaborador do AEI, que confirmou que a organização pediu a cientistas, economistas e analistas que sublinhassem os pontos fortes e fracos do relatório. Segundo Ben Stewart, da organização ambientalista Greenpeace, o American Entreprise Institute é algo mais que um "centro de estudos", já que funciona "como a Cosa Nostra intelectual da Administração Bush".

"São os representantes da Casa Branca nos últimos suspiros da campanha que tenta negar a mudança climática. Perderam a batalha científica, perderam a batalha ética. Só o que lhes resta é uma mala cheia de dinheiro", afirma Stewart. Na segunda-feira, outra organização financiada pela Exxon e com base no Canadá publicará em Londres um estudo que questiona o relatório intergovernamental.

Entre os autores desse estudo está Tad Murty, um ex-cientista que nega que a atividade humana tenha algo a ver com a mudança climática. O relatório do IPCC sustenta, ao contrário, que há aproximadamente 90% de probabilidades de que o aquecimento do planeta ocorra principalmente devido à ação humana.

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