Relatório: temperatura aumentará até 4º C em 2100

02 de fevereiro de 2007 • 06h06 • atualizado às 13h30
Fazenda australiana foi atingida pela seca, resultado do aumento na temperatura mundial
Fazenda australiana foi atingida pela seca, resultado do aumento na temperatura mundial
02 de fevereiro de 2007
AP

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) culpa a ação do homem pelo aquecimento global e prevê um cenário de catástrofe ambiental, se medidas urgentes não forem adotadas. O documento diz que, até o fim deste século, a temperatura da Terra pode subir de 1,8ºC, na melhor das hipóteses, até 4ºC, e prevê o aumento na intensidade de tufões e secas, além de elevação no nível dos oceanos.

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Essas são algumas das previsões descritas no Resumo para os Formuladores de Políticas, que integra a primeira parte do relatório Mudanças Climáticas 2007".

O texto foi elaborado por centenas de especialistas internacionais do IPCC e divulgado nesta sexta-feira em Paris. Durante toda a semana, mais de 500 cientistas e representantes governamentais se reuniram a portas fechadas na sede da Unesco, em Paris, para concluir e aprovar o texto sobre as constatações científicas em relação ao aquecimento global.

Referência
As conclusões divulgadas nesta sexta estavam sendo bastante esperadas porque servirão como referência para toda a comunidade científica mundial. E também como um importante alerta sobre o agravamento do problema do aquecimento do planeta. O texto, destinado aos líderes políticos mundiais, foi discutido linha por linha pelos participantes da reunião em Paris.

Houve divergências em relação às palavras que deveriam ser usadas e que acabaram ocasionando a realização de reuniões noturnas suplementares para que o documento pudesse ser divulgado na data prevista.

Houve debates, por exemplo, sobre a terminologia para designar o grau de responsabilidade da ação humana no aquecimento global, um dos grandes temas deste relatório.

Alguns preferiam utilizar o termo "inequívoca", outros preferiam a expressão "além de qualquer dúvida razoável". Mais de 130 países participaram da elaboração do documento, incluindo os Estados Unidos, que não ratificaram até hoje o protocolo de Kyoto, que impôs aos países desenvolvidos reduzirem em 5,2% suas emissões de gases de efeito estufa até 2012.

"Espero que este relatório deixe as pessoas chocadas e leve os governos a agirem com mais seriedade", afirmou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri.

Este é o quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente para avaliar as informações científicas e sócio-econômicas sobre o aquecimento global.

O relatório anterior, de 1995, serviu de base para a elaboração do Protocolo de Kyoto, lançado dois anos depois. Prevê-se que o quarto relatório do IPCC sirva como referência para o "pós-Kyoto", ou seja, para o compromisso dos países para após o período de 2012, quando expira o atual protocolo.

O tema será um dos assuntos centrais da reunião da ONU em Bali, na Indonésia, em dezembro próximo. O texto integral do quarto relatório, Mudanças Climáticas 2007, totalizará cerca de 900 páginas e será divulgado por partes até novembro deste ano.

O primeiro grupo, que analisa os elementos científicos das mudanças climáticas, finalizou seus trabalhos nesta semana em Paris. Ainda serão divulgados os estudos sobre o impacto das mudanças climáticas e sobre as formas de controle das emissões de gases de efeito estufa.

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