Ação Global: é hora de olhar a aids em longo prazo

24 de janeiro de 2007 • 21h21 • atualizado em 25 de janeiro de 2007 às 08h22

Após anos apenas apagando o incêndio da aids, chegou a hora de desenvolver uma estratégia de longo prazo para lidar com a pandemia, disse na quarta-feira o diretor de um fundo global criado para combater a doença.

"Quando levamos o caminhão de bombeiro para o local e começamos a debelar um incêndio, o que eu acho que está acontecendo, nossa atenção deve começar a se concentrar no longo prazo", disse Richard Feachem, diretor-executivo do Fundo Global para o Combate à adis, Tuberculose e Malária.

Ele participou de uma reunião de organizações internacionais e laboratórios paralela ao Fórum Econômico Mundial, para debater como a pandemia vai se desenvolver até 2025.

Nos primeiros 20 anos, o mundo não conseguiu conter a devastação provocada pela aids nos países pobres, mas isso segundo Feachem mudou nos últimos cinco anos. "Agora temos os primeiros sucessos, com 1,5 milhão de pessoas na terapia anti-retroviral - e o número está dobrando a cada ano", afirmou.

A aids atinge cerca de 40 milhões de pessoas, a maioria na África, e matou cerca de 2,9 milhões em 2006, segundo a ONU. Mas, apesar dos recentes avanços na distribuição de medicamentos, para cada pessoa tratada há dez novos contaminados. O resultado, no dizer de Feachem, é um "horizonte recessivo" no combate à epidemia.

Também há crescentes problemas financeiros, já que a sobrevida dos pacientes significa que eles passarão mais tempo recebendo remédios e provavelmente desenvolverão resistência, o que os obrigará a passar para os medicamentos de segunda e terceira linha, ainda mais caros.

Feachem cobrou uma prevenção coerente e disse que nos próximos anos será necessário tomar decisões sobre o papel de microbicidas vaginais e da circuncisão masculina, assim como do potencial de uma eventual vacina.

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