Imagem capturada pelo telescópio Subaru, no pico de Mauna Kea, no Havaí |
"A América Latina terá uma visão privilegiada porque o planeta Marte está passando exatamente sobre o Hemisfério Sul da Terra", disse Arturo Gómez, astrofotógrafo do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO), 500 km ao norte de Santiago.
"Nos países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, Marte estará abaixo do horizonte, o que faz com que percam ótica para poder observar detalhes", continuou.
Planeta mais misterioso do Sistema Solar, Marte estará a 55,7 milhões de quilômetros de distância da Terra, a posição mais próxima de nós dos últimos 60 mil anos.
Essa aproximação será uma festa para os astrônomos a partir do anoitecer de hoje, embora o ponto máximo do fenômeno seja às 06h51 de quarta-feira (hora de Brasília).
Segundo cálculos astronômicos, o fenômeno só se repetirá em 28 de agosto de 2287.
Na última vez que Marte se aproximou da Terra, pôde ser visto pelos primeiros homens modernos e pelos últimos homens de Neardenthal.
"Em uma ocasião como esta, explicou Gómez, "é possível observar a superfície de Marte e seus detalhes usando pequenos telescópios".
Segundo ele, será possível, por exemplo, visualizar a formação triangular escura de Sirtis Maior (mancha escura de Marte) e, com um equipamento mais sofisticado, o Vale Marineris, similar a uma falha geológica que se estende por quatro mil quilômetros e que se assemelha ao Grande Cânion do Colorado, Estados Unidos.
O astrofotógrafo de Tololo disse que se os observadores na Terra utilizarem pequenos telescópios com espelhos de oito polegadas de diâmetro, poderão ver ainda as calotas polares, detalhes da superfície e até fenômenos atmosféricos, sempre que as condições de visibilidade permitirem.
A olho nu, explicou, será possível apreciar, ao anoitecer, um brilhante objeto muito luminoso de tom avermelhado, parecido com uma estrela. À meia-noite, "estará sobre nossas cabeças" e na hora de sua aproximação máxima, Marte estará no poente.
A aproximação máxima entre a Terra e Marte ocorre no momento em que os dois planetas estão no trajeto de suas rotas elípticas, as mais agudas do Sistema Solar.
A distância-média entre a Terra e Marte é de 78 milhões de quilômetros, enquanto sua separação mínima chega a 55 milhões de quilômetros e a máxima, a 101 milhões de quilômetros.
Segundo pesquisas científicas, Marte é o planeta que tem as maiores semelhanças físicas com a Terra. Tem, por exemplo, uma superfície sólida para pisar e uma inclinação de seu eixo similar ao da Terra.
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