O Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido recrutará 400 pacientes de 36 hospitais públicos britânicos que acabaram de ser submetidos a alguma cirurgia. Caso seja comprovada a eficácia da maconha e sua falta de efeitos colaterais, a droga poderá se transformar em mais uma opção para aliviar o sofrimento de muitos doentes.
A especialista Anita Holdcroft, uma das principais responsáveis pela pesquisa, explicou hoje que "muitos pacientes e muitas clínicas querem saber se a maconha é efetiva para acabar com a dor". Durante a experiência, serão utilizadas quatro pílulas, duas delas conterão alguma tipo de maconha e as outras duas não.
A cada um dos pacientes será administrada, ao acaso, uma das quatro cápsulas. A primeira das pílulas será composta pelo extrato comum da erva e a segunda, por tetrahidrocannabinol (THC), o princípio ativo que dá à maconha o poder de relaxamento. Das outras duas, uma conterá um analgésico e a outra será apenas um placebo.
Os médicos examinarão o estado dos pacientes e perguntarão a eles se a dor diminuiu, pelo menos uma vez a cada hora, durante as seis horas seguintes à ingestão da pílula. Caso tenham dores, os pacientes poderão pedir um calmante a qualquer momento.
Depois do teste, os quatro grupos de pacientes serão comparados, para determinar se os tratamentos que usaram maconha foram mais efetivos para aplacar a dor. "Precisamos confirmar o valor científico de algumas evidências relatadas", afirmou Holdcroft.
A Associação Médica Britânica (BMA) comemorou o estudo, mas pediu que só a parte da planta chamada canabinóide seja usada na medicina. "As pesquisas do BMA demonstraram que a cannabis não é adequada para uso médico, mas alguns princípios que ela contém têm poder para aliviar a dor", disse hoje um porta-voz da associação.
Uma série de estudos realizados no mundo inteiro demonstraram que alguns princípios da maconha são calmantes. No Canadá, o uso foi autorizado para fins terapêuticos, assim como em alguns estados dos Estados Unidos. O britânico Richard Spencer, que há 23 anos sofre de paralisia em ambas as pernas, garantiu hoje à BBC que recuperou a "qualidade de vida" graças ao consumo de maconha, que diminuiu suas dores, relaxando seus espasmos nas pernas e permitindo que ele durma normalmente.
No ano passado, o Reino Unido já havia realizado uma experiência similar, ao administrar maconha a doentes com esclerose múltipla, pessoas com fraturas na coluna vertebral e, em geral, a doentes com fortes dores. O resultado foi completamente satisfatório: os pacientes tinham menos dores e podiam dormir à vontade pela primeira vez.
Embora, para muitos, o uso da droga na medicina seja discutível, uma vez que diminui a concentração e que o hábito de fumar pode provocar câncer, para outros é uma possível cura para muitas doenças. Entre as propriedades da maconha está a atenuação dos efeitos negativos da quimioterapia, da aids, das cólicas menstruais, das dores de parto, da asma, dos derrames cerebrais, dos males de Parkinson e de Alzheimer, do alcoolismo e da insônia.
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