Descoberto gene associado a câncer de rim infantil

04 de janeiro de 2007 • 13h43 • atualizado às 14h16

Foi descoberto um gene no cromossomo X que está associado a cerca de 30% dos casos de um tipo de câncer de rim causado pelo tumor de Wilms, que ocorre, principalmente, entre crianças menores de cinco anos.

"Mutações neste novo gene, denominado WTX, são a causa aparente de 30% dos casos de crianças afetadas por este tumor", explicou o cientista peruano Miguel Rivera, principal autor da pesquisa, publicada na última edição da revista Science.

Segundo o cientista, foi "inesperado" que o gene estivesse no cromossomo X, porque "não há muitos genes relacionados com o câncer nele". "É o primeiro gene supressor de tumores descoberto no cromossomo X", disse.

"Também foi uma surpresa comprovar que este tumor ocorre com a mesma freqüência em indivíduos dos dois sexos, já que problemas genéticos no cromossomo X relacionados a outras doenças normalmente afetam mais os meninos do que as meninas", explicou o cientista, membro do Centro de Câncer do Massachussets General Hospital.

Ele acrescentou que a descoberta deste gene no cromossomo X é algo "relativamente incomum". "Talvez outros genes presentes nesse cromossomo, em outros tumores, tenham comportamento semelhantes, mas não tinham sido vistos antes", afirmou.

Há dez anos, os cientistas identificaram o gene WT 1, cujas mutações estariam associadas a esse tumor, ainda que em um número inferior de casos - entre 5% e 10%. As próximas pesquisas estudarão as ligações entre o gene WT 1 e o WTX, para identificar aspectos comuns a todos os tumores de Wilms. Atualmente, em termos de tratamento, aproximadamente 15% das crianças com tumor de Wilms não respondem à quimioterapia, e a idéia é desenvolver técnicas eficazes para combater a doença nesses casos mais resistentes, explicou o especialista.

"Nos Estados Unidos, a percentagem de crianças menores de cinco anos afetadas por este tumor é de uma em cada 10 mil, mas o número pode ser estendido aos demais países", acrescentou. A pesquisa consistiu no estudo de tumores de pacientes cujos genomas foram comparados aos de tecidos de pessoas saudáveis, até que o novo gene foi descoberto.

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