Comportamento

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Quarta, 3 de janeiro de 2007, 14h44 Atualizada às 14h55

Hábitos sociais podem comprometer fertilidade

O Brasil está seguindo uma tendência mundial de envelhecimento da população. No entanto, a menor taxa de fecundidade pode estar ligada também a comportamentos sociais que diminuem a fertilidade dos brasileiros. Segundo o ginecologista-obstetra e especialista em reprodução humana Joji Ueno, o abuso de álcool e drogas, aumento de peso, estresse e a prática de sexo sem preservativos influem na baixa de fertilidade.

O especialista diz que, em relação aos fatores comportamentais que podem comprometer permanentemente a fertilidade, alguns requerem atenção especial, como o tabagismo. "Hoje, 30% das mulheres e 35% dos homens em idade em idade reprodutiva fumam, o que pode influenciar negativamente nas chances de sucesso de uma gravidez", diz.

Segundo Ueno, o abuso de álcool e drogas afetam diretamente o funcionamento dos gametas masculinos e femininos. Além disso, alguns medicamentos usados no tratamento de gastrites, úlceras, hipertensão arterial e infecções urinárias também podem causar danos à saúde reprodutiva.

"A obesidade e o sobrepeso também contribuem para uma baixa na taxa de fertilidade, pois provocam alterações e distúrbios nos processos de ovulação e uma diminuição do número de espermatozóides", explica o médico.

Dietas e a prática de exercícios exagerados também provocam a redução na produção de espermatozóides e podem causar também uma ausência de ovulação na mulher. "O uso de anabolizantes também prejudica o funcionamento dos testículos, resultando em uma produção de espermatozóides com baixa capacidade de fecundação", avisa.

Baixa natalidade
Há apenas 30 anos a taxa de fecundidade no Brasil era três vezes maior que a atual. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o censo de 1970 constatou a média de 5,8 filhos por cada mulher e esse número diminuiu para os 2,2 filhos por mulher atualmente.

As mudanças apontadas pelo censo são invisíveis no dia-a-dia das pessoas, mas com impactos profundos na vida de uma nação. "Segundo os dados do IBGE, até 2050, a taxa de fertilidade no Brasil cairá para 1,8", diz Joji Ueno, que também é Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. O IBGE estima que a população brasileira entre 0 e 14 anos representará cerca de 24,3% do total em 2020. Atualmente, o número representa 28%.

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