A prática não leva à perfeição, revela estudo

20 de dezembro de 2006 • 19h20 • atualizado em 21 de dezembro de 2006 às 00h15

Passar horas aperfeiçoando um movimento de golfe ou um arremesso de basquete pode ser uma perda de tempo, segundo um estudo americano publicado nesta quarta-feira na revista Neuron, que concluiu que praticar muito uma atividade não necessariamente leva à perfeição.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Stanford após observar como o cérebro planeja e calcula o movimento, depois de treinar macacos para repetir uma tarefa milhares de vezes.

"O sistema nervoso não foi projetado para fazer a mesma coisa uma e outra vez", disse Mark Churchland, pesquisador de pós-doutorado, engenheiro elétrico e principal autor do estudo no qual os macacos recebiam recompensas ao executar a tarefa proposta.

No estudo, os cientistas recompensaram os macacos que evitavam tocar um ponto de luz colorido em velocidades diferentes.

Durante o exercício, os cientistas monitoraram o córtex promotor do cérebro dos macacos, responsável pelo planejamento do movimento, e rastrearam a velocidade do movimento resultante. Depois de milhares de tentativas, os macacos raramente se moveram precisamente com a mesma velocidade.

Segundo o estudo, pequenas variações na velocidade de alcance se seguiram a pequenas variações na atividade cerebral durante o planejamento do movimento, antes de os macacos começarem a alcançar o ponto luminoso.

Ao contrário da sabedoria popular que supõe que a variação de movimento tem sua origem na atividade muscular, os cientistas descobriram que a atividade neurológica explica quase a metade das variações.

Em outras palavras, passar horas fazendo arremessos de basquete não terá o mesmo resultado porque o comportamento do cérebro é inconstante.

Após um período de treinamento inicial, a precisão do feito dos macacos não melhorava com o tempo, sugerindo que muita prática só pode melhorar o controle do movimento até certo ponto, disse Krishna Shenoy, professora adjunta de engenharia eletrônica e neurociências em Stanford.

Os cientistas especulam que os humanos e os animais evoluíram com este "estilo improvisado" em resposta à dinâmica predador-presa, na qual os predadores nunca caçam suas presas nas mesmas condições.

"A busca de regularidade dos melhores atletas está em contraste marcado com a forma como evoluímos através da história", disse Shenoy.

Compreender como o cérebro controla o movimento pode ajudar a direcionar tratamentos para doenças neurológicas, como o mal de Parkinson, disse Shenoy.

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