O chefe da delegação brasileira no encontro, professor Jacob Palis Jr., também vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), disse, em entrevista que outro tópico definido na reunião foi a realização de uma chamada para projetos de pesquisa em áreas consideradas prioritárias para ambos os países. Entre elas, Palis citou as ciências da computação, ciência dos materiais, matemática e física, química, biotecnologia, bioenergia, oceanografia e epidemiologia.
"Uma das coisas mais importantes que foi acordada é que não só vai haver um intercâmbio de pesquisadores, mas com projetos de pesquisa conjuntos e formação de pessoal, sobretudo de jovens cientistas", diz o assessor de Relações Internacionais da ABC, professor Paulo de Góes.
Góes diz que os pesquisadores do Brasil estão mais avançados do que os indianos em áreas como bioenergia, em especial energias renováveis, e matemática. Na bioenergia, o Brasil, que é o primeiro produtor mundial de açúcar, tem muito a contribuir com a Índia, segunda colocada no ranking, indica ele. "Os indianos estão interessadíssimos na nossa tecnologia de etanol, que é baseada em cana-de-açúcar", afirmou Góes. Ele lembrou que, em contrapartida, a Índia tem uma experiência maior do que a do Brasil em áreas como ciências da computação e oceanografia.
O aprofundamento do intercâmbio científico bilateral pode auxiliar também na questão comercial, uma vez que os dois países são grandes produtores de frutas tropicais, observa Góes. "Portanto, é importante para o Brasil e Índia desenvolverem o seqüenciamento de genomas de certas pragas que impedem a exportação para os mercados do Norte de produtos como manga, jaca e goiaba para atingir mercados que não foram ainda disputados, fazendo um processo de colaboração integrado."
O intercâmbio entre cientistas dos dois países conta com apoio recebido dos ministérios da Ciência e Tecnologia, Saúde e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Agência Brasil