Enfraquecimento da Corrente do Golfo causou mini Era Glacial

29 de novembro de 2006 • 18h52 • atualizado em 30 de novembro de 2006 às 00h31

Há 470 anos, o rei Henrique VIII da Inglaterra viajava na superfície do rio Tâmisa, a cavalo. Diz a lenda que o monarca foi puxado do centro de Londres até Greenwich em um trenó sobre a superfície congelada do rio, que virou gelo de uma margem a outra por causa do frio intenso.

As famosas Frost Fairs londrinas, em que os carnavais são ocasionalmente celebrados sobre o rio congelado, foram uma marca registrada da "Mini Era Glacial", que atingiu o noroeste da Europa entre 1200 e 1850.

Um novo estudo, que será publicado na edição de quinta-feira da revista científica britânica Nature, explica porque este fenômeno ocorreu.

O artigo põe a culpa no enfraquecimento da Corrente do Golfo, a corrente que leva água quente do Atlântico tropical até a costa da Europa ocidental, levando aos países da região temperaturas agradáveis mesmo estando na mesma latitude do gelado Labrador.

As evidências estão presentes em sedimentos da região onde a Corrente do Golfo entra no Atlântico Norte, denominada Estreito da Flórida.

Os núcleos sedimentares contém espécies calcificadas de plâncton denominado foraminifera, cuja presença é detectável por níveis do isótopo oxigênio 18.

Este isótopo, ao contrário, depende da salinidade e da temperatura da água do mar, que por sua vez indica sua densidade e, portanto, seu fluxo.

Segundo o estudo, chefiado por David Lund, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), durante a mini Era Glacial, o fluxo da Corrente do Golfo era 10% mais baixa em volume do que é hoje.

Um ano antes, um artigo também publicado na Nature por oceanógrafos da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, demonstrou que um importante ramo do sistema da Corrente do Golfo, a Corrente do Atlântico Norte, perdeu 30% de seu fluxo desde 1998.

Estas descobertas foram realizadas por um navio de pesquisa, que viajou ao longo dos 24 graus de latitude norte, das Bahamas à tropical África ocidental, medindo a salinidade e a temperatura a cada 50 km.

Pesquisas anteriores foram realizadas na mesma linha em 1957, 1981, 1992 e 1998.

O artigo traz de volta o temor de que o aquecimento global possa, paradoxalmente, mergulhar o noroeste da Europa em outra mini Era Glacial.

Segundo este cenário apocalíptico, a água doce resultante do derretimento do gelo da Groenlândia e do permafrost (solo permanentemente congelado) chegaria ao Atlântico Norte, partindo ao meio a esteira de transporte de água quente da Corrente do Golfo.

Outros cientistas, no entanto, criticaram o estudo da Universidade de Southampton, afirmando que seus dados eram muito restritos para levar a qualquer conclusão definitiva.

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