Maior lago de água salgada da China pode secar

03 de novembro de 2006 • 12h51 • atualizado às 17h07

O lago Qinghai, situado no planalto tibetano e considerado o maior de água salgada da China, pode secar em dez anos devido a sua excessiva exploração turística, advertiram especialistas citados hoje pela imprensa local.

O lago, de 4.285 quilômetros quadrados, é o habitat natural de vários animais e plantas em risco de extinção e, "uma vez destruído, será impossível recuperá-lo, por mais que sejam tomadas medidas de proteção", afirmou o acadêmico chinês Shen Ji, do Instituto de Geografia de Nanquim.

Nos últimos 40 anos, segundo Shen, o nível do lago desceu quase quatro metros e sua área diminuiu em 670 quilômetros quadrados.

Analistas de todo o mundo participam esta semana de uma conferência internacional sobre regiões lacustres na cidade de Nanchang, no sudeste da China, onde veio à tona o risco a que estes ecossistemas estão expostos. O lago Qinghai, situado na província chinesa de mesmo nome, registra reduções do nível de água e crescentes índices de poluição desde a década de 60, segundo o jornal "South China Morning Post".

Os especialistas da conferência de Nanchang afirmaram que a recente inauguração do primeiro trem ao Tibet, que passa perto do lago, poderia aumentar o número de turistas à região, e isso prejudicaria ainda mais o ecossistema. É esperado um aumento de até 30% no número de visitantes.

O lago é a paisagem natural mais conhecida e visitada pelos oito milhões de turistas que a cada ano visitam Qinghai, uma remota província pouco habitada que sediou campos de trabalho forçado com presos políticos chineses durante a Revolução Cultural (1966-76).

A ida de turistas ao "mar verde", o significado da palavra Qinghai, aumenta a quantidade de resíduos nas margens, onde a proliferação de hotéis e restaurantes também constitui uma ameaça para o delicado meio ambiente da região.

Os ecologistas também temem que o trem ao Tibet, que foi inaugurado em 1º de julho, seja outra ameaça para o planalto tibetano, um meio que esteve isolado durante séculos, especialmente sensível às mudanças climáticas e à intervenção humana.

Outro famoso lago salgado do Tibet, o Namtso (que é o mais alto do mundo), aumentou sua superfície em mais de 3% nas últimas décadas devido ao degelo de áreas próximas como conseqüência do aquecimento global, afirmaram os especialistas no fórum de Nanchang.

O lago está a 4.718 metros de altura e é um famoso ponto turístico e de peregrinação dos budistas tibetanos.

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