Cientistas querem criar embrião de coelho e humano

05 de outubro de 2006 • 09h58 • atualizado às 10h06

Três equipes de cientistas britânicos solicitaram neste mês permissão às autoridades para fundir células humanas com óvulos de animais, experiência que pode permitir no futuro um tratamento para algumas doenças neurológicas que atualmente não têm cura.

As três equipes, de Londres, Edimburgo e Newcastle, apresentarão as solicitações simultaneamente à Autoridade para a Fertilização Humana e a Embriologia do Reino Unido, segundo a edição de hoje do jornal britânico The Guardian. Os cientistas pretendem criar embriões que serão 99,9% humanos e 0,1% de coelha ou de vaca.

Com as permissões, os especialistas poderão extrair os núcleos dos óvulos animais e substituí-los por células humanas, o que produzirá embriões que contêm material completo de genes humanos, mais dezenas de genes de animais dentro das mitocôndrias, produtoras de energia. A equipe dirigida por Ian Wilmut, da Universidade de Edimburgo - que criou a ovelha Dolly -, e a de Stephen Minger, do King's College, de Londres, querem utilizar os embriões para criar células-tronco portadoras dos defeitos genéticos responsáveis pelas doenças neurológicas.

Transformando essas células em neurônios, os especialistas acreditam poder determinar o processo através do qual esses tipos de doenças degenerativas destroem os nervos, e encontrar remédios capazes de freá-lo ou até revertê-lo. A equipe de Newcastle pretende obter permissão para inserir células de pele humana em óvulos animais, a fim de analisar como estes últimos conseguem "reprogramar" os tecidos adultos para transformá-los em células mais primitivas.

Se os experimentos forem bem-sucedidos, os cientistas poderiam pegar células de um paciente e transformá-las em outro tipo de tecido como células renais, o que permitiria realizar transplantes sem risco de rejeição. Cientistas que trabalham em Shanghai mostraram que é possível obter células-tronco de embriões através da fusão de células humanas com óvulos de coelha.

Se a experiência for liberada, afirma o The Guardian, as equipes permitirão que os embriões cresçam por no máximo 14 dias, momento em que serão uma massa de células do tamanho de uma cabeça de alfinete.

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