Estudo revela probabilidade de planetas parecidos com a Terra

07 de setembro de 2006 • 20h23 • atualizado às 20h23

A existência de planetas semelhantes à Terra em outras galáxias, com ambientes que poderiam dar origem à vida, é muito mais provável do que se imaginava até agora, segundo revela um estudo divulgado hoje na revista "Science".

A pesquisa, realizada por cientistas das universidades do Colorado e da Pensilvânia, indica que mais de um terço dos gigantescos conjuntos planetários identificados fora de nosso sistema solar podem abrigar corpos semelhantes à Terra.

Segundo os cientistas, muitos deles contam com oceanos nos quais poderia haver condições para o desenvolvimento de algum tipo de vida.

"Agora acreditamos que existe em outros sistemas solares um novo tipo de planetas cobertos por oceanos que possivelmente são habitáveis", indica no relatório sobre o estudo Sean Raymond, pesquisador da Universidade do Colorado.

O cientista assinala que a pesquisa se concentra em um sistema planetário, muito diferente de um sistema solar, que contém gigantes gasosos conhecidos como "Júpiteres incandescentes", que orbitam muito perto de suas estrelas.

Até hoje, os especialistas supunham que os "Júpiteres incandescentes" arrastavam consigo material protoplanetário, que era expulso do sistema.

"Mas os modelos indicam que é provável que estas idéias estivessem equivocadas", afirmou Raymond.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que provavelmente há planetas semelhantes por meio de simulações digitais que trabalhavam com discos protoplanetarios teóricos com mais de mil corpos de rochas, gelo e até de luas.

As condições iniciais de cada modelo se basearam nas teorias sobre a formação de planetas no sistema solar ao longo de 200 milhões de anos de evolução.

Segundo Raymond, o grupo de pesquisadores determinou, graças a esse estudo, que um de cada três sistemas planetários pode ter evoluído em "zonas habitáveis" como a Terra.

Além disso, as simulações mostraram que planetas rochosos, conhecidos como "Terras incandescentes", com freqüência se formam dentro da órbita dos "Júpiteres incandescentes".

O estudo lembra que uma equipe da Universidade da Califórnia descobriu no ano passado uma "Terra incandescente" que tem um raio duas vezes maior do que o de nosso planeta, e que orbita a não mais do que 3,6 milhões de quilômetros de sua estrela.

Segundo Raymond, as simulações mostraram que os planetas similares à Terra se formaram com grandes quantidades de água e provavelmente continham uma pequena percentagem de ferro, elemento importante na evolução e possível oxigenação de uma atmosfera parecida com a nossa.

Além disso, afirmou que as "Terras incandescentes" podem se formar muito rápido, em apenas 100 mil anos.

Segundo os geólogos, a Terra passou de seu estado gasoso ao sólido e à sua formação definitiva entre 30 e 50 milhões de anos atrás.

"Definitivamente, acredito que há planetas habitáveis", indicou o cientista.

No entanto, advertiu que "qualquer tipo de vida nesses planetas poderia ser muito diferente da nossa".

"Há muitos passos evolutivos entre a formação destes planetas em outros sistemas e a presença de formas de vida", afirmou.

Segundo a equipe de cientistas, cujo trabalho foi financiado pelo Instituto de Astrobiologia da Nasa, a pesquisa poderia ajudar os "caçadores de planetas" a determinar os parâmetros para sua busca.

"As próximas missões espaciais ajudarão a descobrir e descrever planetas similares à Terra que giram em torno de outras estrelas", dizem os autores do estudo.

Eles se atrevem a afirmar que será descoberto "que uma grande parte dos sistemas de planetas gigantes contam com ''Terras incandescentes'' ou potencialmente habitáveis, com planetas ricos em água e em órbitas estáveis".

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