Primeira sonda lunar européia se prepara para atingir alvo

02 de setembro de 2006 • 20h50 • atualizado às 22h19

A primeira sonda lunar européia, Smart-1, se prepara para tocar o solo lunar neste domingo, conforme o previsto, no fim de uma missão científica de 16 meses, marcada por avanços tecnológicos e pela observação dos pólos do satélite natural da Terra.

A sonda, um cubo com volume de 1 metro cúbico e 290 quilos, deverá atingir o astro às 02h41 de Brasília a uma velocidade de 2 km/seg (7.200 km/h) no "Lago da Excelência". Ela provocará na superfície "uma pequena cratera medindo de 3 a 10 metros de diâmetro", informou o encarregado científico do projeto na Agência Espacial Européia (ESA), Bernard Foing.

A sonda foi lançada em 28 de setembro de 2003 do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguete Ariane-5 e entrou na órbita lunar em novembro de 2004. Posta em uma órbita elíptica polar (a uma distância de 300 a 3.000 km), ela começou suas observações científicas em março de 2005.

Uma série de modificações de trajetória foi realizada pelos encarregados do centro de controle da ESA (Esoc), em Darmstadt (Alemanha), para assegurar o impacto da sonda na região meridional da Lua, visível da Terra.

Na verdade, a violência do impacto deverá permitir aos cientistas precisar os parâmetros físicos e químicos do solo e observar os materiais ejetados no impacto, sua irradiação...

Durante a missão, a Smart-1 já forneceu elementos que permitem fazer avançar o debate sobre a origem da Lua e sua evolução. Além disso, a sonda enviou imagens da superfície do satélite com resoluções até agora inéditas.

Assim, os cientistas "detectaram pela primeira vez o cálcio e o magnésio", a "medida das diferenças de composição ao nível dos picos centrais das crateras, as planícies vulcânicas e as gigantescas bacias de impacto" e a "cartografia de unidade da superfície lunar, incluindo aquela de sua face escondida", informou a ESA.

A sonda permitiu ainda testar com sucesso uma miniaturização dos equipamentos que podem servir para outras missões espaciais européias, como a que será enviada em 2013 com destino a Mercúrio com a sonda Bepi-Colombo, ou a bordo da futura missão lunar indiana Chandrayaan.

Seu motor iônico assegura sua propulsão, expulsando íons de gás xenônio a forte pressão, permitindo-lhe percorrer 100 milhões de quilômetros consumindo não mais que 60 litros de combustível. Uma das experiências a bordo, a Oban, "serviu para testar um novo sistema de navegação que permitirá aos futuros veículos espaciais navegar de forma autônoma, sem a intervenção dos controladores no solo", destacou a ESA.

Por outro lado, a câmera AMIE enviou as imagens da superfície do nosso satélite com resoluções até agora inéditas para este astro, permitindo ver detalhes de 40 metros de face.

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