Cientistas criam útero artificial para tubarões

24 de agosto de 2006 • 19h55 • atualizado às 20h15

Cientistas australianos tentam desesperadamente salvar tubarões, cujos filhotes comem uns aos outros ainda no útero. Pesquisadores do governo trabalham para desenvolver um útero artificial em que embriões de tubarão-mangona (Carcharias taurus) possam crescer sem serem canibalizados por seus irmãos, explicou nesta quinta-feira o especialista em tubarões Nick Otwa.

A fêmea do tubarão-mangona inicia sua gravidez com mais de 40 embriões em seus dois úteros, mas no momento em que estão perto de nascer, um ano depois, restam apenas dois - um em cada útero.

Todos os outros foram comidos no que Otway chama de "canibalismo intra-uterino", uma característica única da espécie. "Quando os embriões atingem cerca de 10 centímetros de comprimento, por volta dos quatro meses, eles têm uma mandíbula totalmente desenvolvida e funcional e começam a canibalizar seus irmãos", explicou.

"Este é realmente um problema com este animal", acrescentou. "É uma estratégia reprodutiva tão bizarra que qualquer outro fator que cause morte em seu hábitat levará a população a diminuir", emendou.

O tubarão-mangona, que chega a até três metros, é classificado como um animal em sério risco de extinção na costa leste da Austrália e é vulnerável em todo o mundo, disse Otway.

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