Cientista atribui violência do povo maori à genética

09 de agosto de 2006 • 17h35 • atualizado às 17h35

Um cientista neozelandês gerou polêmica ao alegar que o povo maori, nativo da Nova Zelândia, tem um gene "guerreiro" que os torna mais propensos a um comportamento violento ou criminoso. Rod Lea revelou sua teoria durante uma conferência sobre genética celebrada esta semana na Austrália, reconhecendo ser polêmico sugerir que um grupo étnico tem predisposição para um comportamento criminoso.

A alegação foi imediatamente criticada por líderes maori. A co-presidente do Partido Maori, Tariana Turia, disse ao jornal The Press nesta quarta-feira que embora tenha ouvido que o povo maori tem uma pré-disposição para o alcoolismo, seria um grande salto incluir tendências violentas nesta visão.

"Eu percebo que a violência é uma questão para nós, mas há fatores muito comuns, como a violência, que não estão relacionados com uma raça", acrescentou. Lea, um epidemiologista genético do Instituto de Ciência e Pesquisa Ambiental (Institute of Environmental Science and Research), em Wellington, sustenta que os homens maori tem uma quantidade incomum de monoamino oxidase - apelidado de gene guerreiro -, associado com o comportamento agressivo.

O gene foi descoberto por cientistas americanos, mas nunca havia sido vinculado a um grupo étnico. O cientista disse à National Radio, na quarta-feira, que o gene apareceu em cerca de 60% dos homens maori e em 30% dos homens europeus.

"Eu acredito que este gene tem uma influência no comportamento dos seres humanos em geral, mas eu também acredito que a influência é pequena", afirmou. "Temos que ser claros de que traços comportamentais, tais como suscetibilidade ao vício, o comportamento agressivo, assumir riscos, todos estes tipos de coisas, são extremamente complexos e se devem a muitos fatores, inclusive fatores ambientais não-genéticos como educação e outros diferentes fatores de vida", acrescentou.

Lea disse ainda que o gene explica algumas questões relativas aos maori. "Eles serão mais agressivos e violentos e mais propensos a assumir um comportamento de risco como o de apostar", embora ele acredite que outros fatores não genéticos também possam influenciar. "Há muitas situações de estilo de vida, educação, que poderiam ser relevantes aqui, portanto, obviamente, o gene não faria de você automaticamente um criminoso", continuou.

A parlamentar maori Hone Harawira acredita que fatores sociais, como desemprego, baixo nível educacional e em muitos casos pobreza extrema contribuam mais para a violência dos maori do que o "gene guerreiro". "Se você colocar qualquer grupo nesta situação... Eu o desafio a apontar o grupo que não seria agressivo como resultado de ser tratado daquela maneira", afirmou.

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