Atualizada às 14h38
O nascimento da ovelha Dolly, primeiro clone de um mamífero obtido a partir de uma célula de animal adulto, despertou há dez anos temores diante da idéia de que o homem pudesse vir a se perpetuar em cópias idênticas, mas também esperanças para a reprodução animal e a terapia humana.
O nascimento de Dolly foi anunciado em 23 de fevereiro de 1997, embora na verdade tenha ocorrido em 5 de julho de 1996, pela mãos da equipe de Ian Wilmut, do Instituto Roslin de Edimburgo (Escócia). Pouco depois, a Unesco adotava uma declaração universal sobre o genoma humano na qual proibia principalmente a clonagem.
Em fevereiro do mesmo ano, o geneticista francês Axel Khan aplaudiu a "abertura extraordinária no plano científico" e considerou "inviável a clonagem de seres humanos", enquanto antevia a possibilidade de "clonar animais excepcionais" e salvar espécies "em vias de extinção".
Menos de dez anos depois nasceram clones dos célebres puros-sangues Pieraz e Quidam de Revel. A clonagem de um gato doméstico, em 2002, fez nascer a esperança da criação de cópias de animais de estimação.
Outras clonagens de animais haviam sido concluídas com êxito antes do nascimento de Dolly. Mas o nascimento da ovelha representou um grande avanço porque ela herdou seu DNA de uma ovelha adulta e não de um embrião.
O núcleo (que contém os cromossomos) de uma célula mamária desta ovelha foi introduzido em um óvulo, cujo próprio núcleo, que continha o DNA de outra ovelha, havia sido extraído. Tratou-se de uma clonagem por transplante de núcleo de célula somática (não sexual), no qual o embrião criado foi depois implantado no útero de outra ovelha.
A dificuldade enfrentada pela equipe escocesa consistia em reprogramar o novo núcleo do óvulo para que começasse de novo o processo de gestação, dando início à formação de um embrião.
Esta equipe demonstrou ser possível reativar os programas genéticos apagados durante o isolamento desta célula de mama e devolver-lhe todo o seu potencial, como em seu estado embrionário. Mas foram necessários mais de 270 testes para chegar até a gestação de Dolly.
Com Dolly abriu-se a possibilidade da clonagem de mamíferos adultos e a perspectiva de que o homem possa algum dia tentar fazer uma cópia de si mesmo ao invés de recorrer à reprodução sexual.
Em 2002, a seita dos raelianos afirmou ter conseguido o nascimento de clones humanos, sem apresentar a menor prova.
A criação de uma cópia perfeita a partir da técnica usada para chegar a Dolly é impossível em qualquer caso. Os clones criados se parecem menos entre si do que um par de gêmeos reais porque alguns genes estão fora do núcleo celular transferido.
Diferentemente da clonagem reprodutiva, expressamente proibida em vários países, a clonagem terapêutica não visa ao nascimento de novos bebês, mas a produção de embriões de algumas células, das quais são extraídas e multiplicadas em laboratório para fazer cultivos de células-tronco dotadas do mesmo patrimônio genético.
Esta técnica poderia permitir a criação de células cardíacas ou outros tecidos, com o mesmo conteúdo de DNA de um paciente, ao qual poderiam ser em seguida transplantadas sem risco de rejeição.
Estas esperanças terapêuticas continuam sendo teóricas depois que os pretendidos avanços do sul-coreano Hwang Woo Suk revelaram-se falsos.
AFP
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