Genoma de uma bactéria hospitalar é decifrado

25 de junho de 2006 • 22h16 • atualizado às 22h16

O genoma de uma bactéria hospitalar multirresistente a antibióticos, a Clostridium difficile, responsável por problemas intestinais que podem ameaçar a vida do paciente infectado, acaba de ser decifrado por pesquisadores do Instituto britânico Sanger, em Cambridge.

A pesquisa foi publicada neste domingo pela revista Nature Genetics.

Principal causa das infecções hospitalares dos países desenvolvidos, a bactéria "C.difficile" foi responsável em 2004 por cerca de 44 mil infecções no Reino Unido.

Ela provoca diarréias associadas ao consumo de antibióticos e, menos freqüentemente, colites cuja mortalidade pode atingir entre 30% e 50% dos pacientes em caso de complicações (perfuração, choque tóxico).

Esta bactéria é "a mais difundida e provoca mortalidade superior à da superbactéria MRSA+, o estafilococo dourado resistente à meticilina", segundo o Instituto de Cambridge.

"Mais de 10% do genoma de C.difficile é formado por elementos móveis", segundo o doutor Mohammed Sebaihia, que dirigiu o deciframento do genoma proveniente de um paciente hospitalizado na Suíça. Extremamente variável, a bactéria pode modificar-se e tornar-se resistente aos tratamentos.

A metade desses genes está ausente das bactérias próximas (como as causadoras do botulismo, da gangrena gososa, do tétano), desprovidas dessa capacidade de mutação.

A bactéria pode "hibernar" sob a forma de esporos (casulos protetores).

Como esses esporos são muito resistentes à maior parte dos antibióticos, é muito difícil erradicar a bactéria, que pode facilmente se propagar entre os doentes.

Uma nova cepa mais agressiva, nomeada "027", surgiu em 2003 nos hospitais dos Estados Unidos e provocou várias mortes. A "027" apareceu posteriormente no Reino Unido, na Bélgica e na Holanda. Na França, ela foi registrada pela primeira vez em 2006, em 33 pacientes (de 27 a 95 anos) infectados entre janeiro e abril, no hospital de Valenciennes (Norte). Mas não foram registradas mortes neste caso.

Apenas dois antibióticos (metronidazole ou vancomicina) são eficazes, garante o instituto Sanger.

A informação revelada pela análise do genoma da bactéria poderia contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e de detecção de infecções e, a longo prazo, levar a novos tratamentos, segundo o instituto.

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