Ladrão de túmulo revela tesouro arqueológico na Itália

16 de junho de 2006 • 17h05 • atualizado em 17 de junho de 2006 às 18h22

A Itália exibiu na sexta-feira um novo sítio arqueológico que, segundo alguns especialistas, abriga as pinturas mais antigas da história da civilização ocidental. Ironicamente, a polícia foi levada até o sítio dos "Leões Rugindo" por um suspeito de roubo de túmulos que esperava obter tratamento mais condescendente da Justiça.

» Veja fotos da descoberta

"É o túmulo de um príncipe que é único, e eu diria que é a origem da arte ocidental", disse o ministro da Cultura italiano Francesco Rutelli, no local que, até duas semanas atrás, quando o sítio foi descoberto, não passava de um campo de cevada. Levados pelo ministro ao local - um campo de aparência comum na periferia de Roma - jornalistas puderam ver uma sala esculpida na encosta de uma colina, decorada com afrescos coloridos que, de acordo com arqueólogos, têm 2,7 mil anos de idade.

As autoridades foram levadas até o local - que fica numa região conhecida por conter resquícios da civilização etrusca, presente na Itália antes do Império Romano - por um guia turístico austríaco, de 82 anos, que a polícia interrogava por suspeita de roubo de artefatos da antiguidade.

Os arqueólogos ficaram atônitos com o que descobriram após a remoção da terra: uma sala grande e quadrada, com nichos que, na antiguidade, teriam abrigado restos humanos cremados, resquícios de um teto vermelho vivo pintado e afrescos coloridos de aves e leões rugindo. "Há milhares de túmulos nesta área", disse Francesca Boitani, arqueóloga do Ministério da Cultura, apontando para as colinas ao norte de Roma que, no passado, abrigaram a cidade etrusca de Veia.

"Mas o que chama a atenção neste túmulo são as pinturas. Elas transmitem um senso do primitivo." É a natureza primitiva das pinturas encontradas que convenceu os especialistas de que são de pelo menos uma geração anterior à de quaisquer outras já encontradas, provavelmente datando de entre 700 e 680 a.C.

As mais antigas
O professor Giovanni Colonna, da Universidade Sapienza, em Roma, disse que, embora os afrescos não sejam tão antigos quanto algumas pinturas rupestres ou obras de arte egípcia já encontradas, eles sem dúvida são os exemplares mais antigos da tradição de arte ocidental que seria desenvolvida pelas civilizações grega e romana.

Fragmentos de cerâmica decorada encontrados no túmulo, além dos resquícios claramente visíveis de uma roda que fez parte de uma carroça enterrada ao lado dos corpos, indicam que o local foi o túmulo de um nobre ou príncipe.

Na arte etrusca, os pássaros simbolizavam a passagem entre a vida e a morte, e os leões representavam o submundo.

Enquanto os historiadores de arte se emocionaram com a descoberta, o evento ilustra dois problemas sérios da Itália: o custo constantemente crescente das escavações arqueológicas e da administração dos tesouros da antiguidade, e o combate aos criminosos organizados que saqueiam o patrimônio histórico e cultural do país.

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