Cientistas japoneses fazem Mona Lisa "falar"

31 de maio de 2006 • 10h18 • atualizado às 12h02
Minha verdadeira identidade está envolta em mistério, diz o quadro  Foto: Reprodução
"Minha verdadeira identidade está envolta em mistério", diz o quadro
31 de maio de 2006
Foto: Reprodução

O sorriso da Mona Lisa pode continuar um mistério, mas graças a uma pesquisa de especialistas em acústica do Japão, já é possível escutar como teria sido o som de sua voz. Matsumi Suzuki, que costuma usar seus conhecimentos para ajudar em investigações criminais, fez medições do rosto e das mãos do famoso retrato pintado por Leonardo da Vinci no século 16, criando uma estimativa sobre a altura da modelo (ela teria 1,68 metro) e um molde de seu crânio.

"Tendo conseguido isso, pudemos criar uma voz semelhante à da pessoa em questão", disse Suzuki, em uma entrevista concedida na semana passada em seu escritório em Tóquio. "Recriamos as vozes de várias pessoas famosas, chegando perto do original, e as utilizamos para dublar filmes".

O gráfico da voz de uma pessoa, conhecido como uma impressão vocal, é único, e Suzuki diz acreditar que conseguiu uma exatidão de 90% ao recriar o tom de voz da enigmática mulher. "Eu sou a Mona Lisa. Minha verdadeira identidade está envolta em mistério", diz o quadro no site http://promotion.msn.co.jp/
davinci/voice.htm.

"No caso da Mona Lisa, a parte mais baixa da face dela é bastante larga e o queixo é pontudo", explicou o pesquisador. "Esse volume adicional significa uma voz relativamente grave, enquanto o queixo pontudo indica uma altura média do som". Os cientistas usaram uma mulher italiana para captar a entonação correta da voz. "Então, tivemos de pensar sobre o que ela falaria", afirmou Suzuki. "Tentamos fazer com que ela falasse japonês, mas isso não combinou com a imagem dela".

Especialistas não chegaram a um acordo sobre quem está retratado no quadro. Alguns afirmam que se trata do próprio Leonardo, outros, de que é a mãe dele. A equipe de pesquisadores também tentou recriar a voz do artista, em um projeto elaborado para coincidir com o lançamento do filme O Código Da Vinci.

Mas, segundo Suzuki, havia menos certeza sobre a exatidão desse resultado porque os cientistas tiveram de trabalhar com auto-retratos nos quais o artista aparece usando barba, o que esconde o formato de seu rosto.

O pesquisador participou da investigação de vários crimes. Suzuki, por exemplo, ajudou na solução de um caso ao envelhecer a voz de uma pessoa em uma década. Uma gravação dessa voz foi divulgada na TV e o suspeito acabou detido.

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