Estudo brasileiro cria chance de cura para diabete 1

14 de novembro de 2002 • 21h16 • atualizado às 21h48

Os pacientes com diabetes do tipo 1 ganharam uma boa notícia e podem se animar com uma nova esperança de cura graças a um experimento pioneiro no Brasil conduzido no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). A informação foi divulgada hoje, dia 14 de novembro, que é o Dia Mundial da Diabete. Em oito anos de estudos, uma equipe de 10 pesquisadores aprimorou as formas de isolar e purificar ilhotas pancreáticas -estruturas que contêm as células beta responsáveis pela produção da insulina- de doadores cadáver para repor essa substância ausente em pacientes com diabete do tipo 1.

Animados com os resultados obtidos no exterior em humanos e com ratos de laboratório, os cientistas brasileiros esperam iniciar os implantes em humanos nos próximos meses. "É um processo complicado, de tecnologia sofisticada, e o Brasil agora tem a estrutura ideal para iniciar os testes com humanos em breve", disse a professora titular colaboradora de bioquímica, Anna Carla Goldberg, envolvida na pesquisa.

A técnica envolve o processamento do pâncreas através da digestão com enzimas especiais, a fim de separar as ilhotas, que representam de 1% a 2% do órgão. Depois de isoladas e testadas para a funcionalidade, as ilhotas são implantadas no fígado do paciente através da veia porta. O implante, de acordo com Goldberg, não afeta a função hepática e estimula a produção da insulina. "Seria muito difícil introduzir as ilhotas através do pâncreas e no fígado conseguimos o mesmo objetivo", afirmou a pesquisadora.

A primeira fase de testes com humanos envolverá 18 pacientes com um tipo mais severo da diabete do tipo 1 e que necessitam de várias injeções de insulina diárias. "Já temos a autorização do Ministério e os resultados com humanos podem sair em poucos meses", conta Goldberg. "Nossa meta é curar pessoas com a diabete do tipo 1."

O trabalho é desenvolvido na Unidade de Ilhotas Pancreáticas Humanas, do Instituto de Química da USP, e é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pela USP e pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

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