Ácido fólico aumenta chances de gravidez de gêmeos

04 de maio de 2006 • 19h54 • atualizado às 19h54

Matéria com embargo até as 20h00 desta quinta-feira/// PARIS, 4 mai (AFP) - As mulheres que se submetem a tratamento de fertilização in vitro e ingerem grandes doses de ácido fólico, um complemento utilizado para prevenir más-formações do feto, podem ter mais chances de apresentarem uma gravidez múltipla, revelou um estudo.

Apenas uma em cinco tentativas de fertilização in vitro resulta em gravidez, razão pela qual os médicos costumam implantar vários embriões de cada vez para melhorar as chances de sucesso.

A gravidez múltipla, no entanto, apresenta mais riscos de anomalias congênitas, atraso no crescimento dos fetos e abortos, e por isto é importante compreender as causas e os riscos dos gêmeos para reduzi-los na medida do possível.

Em um estudo que será publicado na edição de sábado da revista The Lancet, cientistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, acompanharam 602 mulheres submetidas à fertilização in vitro e mediram seus níveis de ácido fólico no sangue.

O ácido fólico, também conhecido como folato ou vitamina B9, costuma ser receitado como complemento para as mulheres que querem ficar grávidas, pois protege o feto de desenvolver más-formações como a espinha bífida e outras deformações nos neurônios.

Setenta e três por cento das mulheres estudadas tomavam diariamente a dose de ácido fólico recomendada; 9% tomavam menos ou nada e cerca de 19% ingeriam mais do que o recomendado.

Os cientistas descobriram que as mulheres com altos níveis de ácido fólico no sangue tinham 52% mais chances de ter gravidez múltipla, no caso da implantação de vários embriões. O índice de gêmeos era 28% maior entre as mulheres com grandes quantidades de folato em seus glóbulos vermelhos.

No entanto, o alto nível de folato não aumentava as chances de gravidez.

Estes resultados coincidem com outros estudos feitos nos Estados Unidos depois de 1998, a partir dos quais a farinha passou a ser reforçada com ácido fólico para ajudar a evitar deficiências neurológicas no sistema central.

O estudo concluiu que o risco de gravidez múltipla depois do tratamento de fertilização in vitro aumenta entre 11% e 13% e sugere que as implicações poderiam ser maiores.

Os médicos poderiam manter o nível de nascimentos, mas reduzir a incidência elevada de gravidez múltipla, aconselhando as mulheres que não excedam as doses do ácido fólico recomendadas.

Mas a dieta não é o único fator, acrescentou o estudo.

Assim, um gene chave que participa da metabolização do ácido fólico também poderia incidir nas possibilidades de uma gravidez bem-sucedida.

As mulheres com tratamento de fertilização in vitro foram submetidas a exames de seis tipos de um gene denominado MTHR, importante na decomposição do ácido fólico e de seu fornecimento ao corpo.

Mulheres com uma cópia dupla da variante denominada CC do MTHR tinham 76% menos chances de concluir uma gravidez do que mulheres com a variante "AA" deste mesmo gene.

Estes resultados foram comparados com os de outro grupo, o de 932 mulheres que engravidaram de forma natural.

Estudos complementares são necessários para explicar as causas de que o ácido fólico e sua metabolização possam afetar o risco de uma gravidez múltipla.

Em um comentário também publicado na The Lancet, o obstetra americano Gary Steinman disse que isto poderia ser atribuído "ao ambiente pobre em cálcio" do útero.

Isto faz com que grupos de células embrionárias se separem prematuramente entre si, aumentando as chances de se implantarem na parede uterina e se desenvolverem como fetos.

Trabalhos anteriores já estabeleceram a relação entre a gravidez múltipla e a dieta, destaca Steinman.

"Por razões desconhecidas, acredita-se que o consumo de inhame por membros da tribo iorubá na Nigéria contribua para o índice anormalmente alto de gêmeos; (mas) quando se sai do campo para a cidade, com a correspondente mudança de dieta, o índice de gêmeos cai significativamente", acrescenta.

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