Falta de água doce pode causar danos ambientais

21 de março de 2006 • 20h26 • atualizado às 20h26

Os problemas causados pelo reduzido suprimento de água doce vão muito além da sede perpétua, se estendendo para a poluição severa, a perda de espécies e até mesmo a insegurança alimentar, advertiu um estudo da ONU publicado nesta terça-feira, na véspera do Dia Mundial da Água.

"A falta de água doce provavelmente causará um aumento dos danos ambientais nos próximos 15 anos", destacou o relatório Avaliação Global das Águas Internacionais do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), baseado nos dados de 1.500 especialistas em todo o mundo.

A água potável inadequada é um problema crítico imediato para bilhões de pessoas, destacou o estudo. Mas os cortes de água potável, causados pelo represamento maciço e pelo esgotamento das reservas hídricas estão provocando uma reação em cadeia de problemas ambientais, começando com a queda dos fluxos dos rios, o aumento da salinidade em estuários biologicamente ricos e a redução de sedimentos ao longo da costa.

O primeiro impacto destas mudanças, prevê o estudo, será uma perda séria de fauna e da flora marinhas, a redução das áreas cultivadas, danos à pesca e insegurança alimentar em 2020. No fim desta reação em cadeia, alerta, estão o aumento da desnutrição e da fome. O problema é agravado por mudanças no padrão do consumo alimentar humano.

"Globalmente, tem havido uma demanda aumentada por produtos agrícolas e uma tendência ao aumento de consumo de comida rica em água, como carne no lugar de vegetais, e frutas no lugar de cereais", concluiu o estudo. A agricultura irrigada agora responde por 70% das perdas de água doce, com apenas 30% desta água voltando para o meio ambiente, demonstrou o estudo. Comparativamente, a indústria e as residências devolvem até 90% da água que usam.

O fato de que muitos países em desenvolvimento não têm informações científicas e técnicas adequadas sobre seus recursos hídricos também é um fator agravante. Estes países estão "operando seus recursos hídricos, bem como seus padrões de suprimento e demanda no escuro", acrescentou o estudo. "Os lençóis freáticos respondem pela maior falta de informação, que é um obstáculo cada vez mais significativo para a gestão eficiente da água", continuou.

O estudo também apontou para "falhas de mercado" como contribuição para o problema, destacando que muitos dos fatores que levam à degradação ambiental e à poluição - inclusive o uso de pesticidas e herbicidas, água para irrigação e construção de represas - são fortemente subsidiados por governos. No topo da lista de preocupações a médio prazo relativas à água está a poluição.

Em 2020, os impactos ambientais da poluição "têm previsão de se intensificar em três quartos" das áreas estudadas, "tornando este a maior perspectiva negativa entre as preocupações" descritas no relatório, destacou o estudo.

O documento destaca que sólidos em suspensão, sobretudo resultantes do desmatamento e da agricultura, já afetaram de forma severa arrecifes de coral e hábitats ribeirinhos no Mar Caribe, na Corrente do Brasil, nos lagos do Vale Rift leste-africano e em todas as regiões do sudeste asiático.

Também alertou contra o aumento do impacto da eutroficação, um processo que causa deficiência de oxigênio como resultado de uma riqueza excessiva em nutrientes, freqüentemente resultante de águas contaminadas por fertilizantes agrícolas, esgoto sem tratamento e poluição do ar.

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