Especialistas advertem para falta de água no mundo

25 de maio de 2005 • 21h26 • atualizado às 21h26

A grave crise de falta de água que afeta cerca de dois bilhões de pessoas no mundo requer políticas públicas urgentes para melhorar o acesso e garantir o recurso no planeta, advertiram especialistas de 70 países reunidos na Guatemala.

A falta de água pode causar conflitos entre famílias e até guerras, advertiu o secretário executivo da Associação Mundial da Água (GWP, da sigla em inglês), o italiano Emilio Gabbrielli.

"A falta de medidas pode causar graves crises sociais, como já se vê nos subúrbios urbanos, além disso certamente existe o risco de que possa provocar guerras", afirmou Gabrielli no final de um encontro de três dias na Antiga Guatemala, 45 quilômetros ao oeste da capital.

"Realmente pode acontecer uma guerra, já que há guerras entre vizinhos quando há uma fonte de água limitada. Em todo o mundo há pequenas guerras locais por pouca água", lamentou.

"A única coisa que vejo de positivo" nisto é que a água "é um elemento tão fundamental à vida humana que em muitos casos o conflito se torna uma oportunidade de melhora", comentou Gabrielli.

No Oriente Médio, existem estudos que demonstram que os palestinos e israelenses "em nível político não concordam, mas quando se fala de água conseguem sentar juntos", disse.

"Então, o recurso água talvez possa ser uma oportunidade de transformar o conflito em uma capacidade de solução e de trabalhar juntos", avaliou. Para Gabrielli, o mais complicado no mundo é o rápido crescimento populacional nos últimos 30 anos e o descuido das fontes de água, pois se "pensava que era uma quantidade ilimitada e na realidade é um recurso limitado".

A diretoria da GWP avalia que a falta de políticas públicas e a pouca educação da população para o uso racional da água se deve a uma ignorância coletiva durante 15 anos sobre a importância do recurso.

"Foi em 1992 que se reconheceu internacionalmente que (a água) é um recurso limitado, que afeta a realidade econômica de qualquer país, que a solução é com a participação de todos os setores e que a água é um bem social e fundamentalmente econômico", explicou.

Entretanto, passaram-se 10 anos e quase nenhum governo levou a sério o assunto, só fizeram isso em 2002, quando os governos, "pelo menos em nível de consciência, reconheceram que para falar de desenvolvimento sustentável primeiro tinham que falar sobre o problema de gerência do recurso água", disse.

"Há algumas perspectivas que dizem que o ponto crítico será por volta de 2025. Se não fizermos algo chegará a um ponto em que haverá uma proporção bastante grande de países com uma crise muito difícil", advertiu.

No último encontro sobre a água realizado em Johanesburgo, em 2002, os países fixaram 2005 como data limite para elaborar um plano de gerência integral dos recursos hídricos, mas as metas não foram cumpridas.

A gerente da GWP, a canadense Margaret Catley-Carlson, concordou que o crescimento demográfico prolongou a crise da água, pois há 50 anos o planeta era habitado por 2,5 bilhões de pessoas e agora há 6,2 bilhões.

O problema reside no fato de que são os mesmos rios, lagos e fontes de água que satisfazem a demanda de toda a população e além disso a água foi afetada pela contaminação, pesticidas e químicos, lamentou.

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