Faraó Tutancâmon pode ter sido assassinado

Reconstrução de alta tecnologia mostra como era a aparência de Tutancâmon Foto: Atlantic Productions/Divulgação
Reconstrução de alta tecnologia mostra como era a aparência de Tutancâmon
30 de setembro de 2002
Foto: Atlantic Productions/Divulgação

Muito mistério e poucas informações concretas cercam a história do jovem faraó Tutancâmon, que governou o Egito dos 9 aos 19 anos de idade no século 14 a.C. Sua tumba foi descoberta na década de 20 pelo arqueólogo Howard Carter e sua equipe. Eles encontraram a múmia do faraó completa com uma máscara dourada e um tesouro de artefatos de ouro. A partir daí muitos exames foram realizados e foi possível, inclusive, com a tecnologia atual, recriar a verdadeira fisionomia do faraó. Sua figura foi cercada de muitas histórias, como a maldição da tumba. Agora, a nova polêmica diz respeito a sua morte.

A hipótese de assassinato ressurge através da escritora Violaine Vanoyeke, uma das mais prolíficas na questão egípcia. Ela retoma o assunto - lançado em 2002 por dois criminologistas americanos - em seu último romance. O segundo volume de sua trilogia dedicada ao jovem faraó chega essa semana às livrarias com o título "Tutancâmon - O Filho de Nefertiti".

Vanoyeke vai mais além que o ex-agente federal americano Greg Cooper e o especialista em inteligência de Utah, Mike King, e assegura que o já famoso golpe recebido na cervical faraônica foi aplicado enquanto a vítima dormia ou estava na posição horizontal. Mantém, além disso, que a violenta ferida não lhe causou a morte de imediato, por isso sua agonia se prolongou durante "pelo menos dois meses em meio a terríveis dores".

Segundo a autora de "O enigma do egípcio" (1997) e "O segredo do faraó", entre outros numerosos títulos sobre o Egito e a Grécia clássica, "as radiografias da múmia feitas em 1968 e o relatório de sua autópsia revelam a existência de um hematoma calcificado". Isso quer dizer que Tutancâmon teve que sobreviver pelo menos dois meses ao golpe, até morrer desidratado depois de cair em coma por causa das crescentes dores de cabeça provocadas pela contusão ou por uma hemorragia cerebral.

Vaneyeke, que disse haver analisado o material existente em colaboração "com médicos" e outros especialistas, descartou a "falsa pista do pequeno osso encontrado no interior do crânio", do qual assegura que se quebrou após seu embalsamamento ou entrou ali misturado entre a resina colocada no lugar de seu cérebro. "Também pôde ter se rompido mais tarde", pois a famosa múmia, descoberta na década de 20 por Howard Carter, "estava colada ao sarcófago por causa do óleo sagrado introduzido nele e foi necessário cortá-la em duas e arrancar-lhe os braços para poder tirá-la dali e examiná-la", avalia a escritora.

Da mesma forma que Cooper e King, a romancista considera que os principais suspeitos do suposto crime foram dois futuros faraós, Ay, chefe religioso conselheiro da corte, e Horemheb, chefe do Exército, que já tinha acumulado muito poder nos tempos de Amenofis III e de Amenofis IV, mais conhecido como Akenathon, (1539-1075 antes de Cristo).

Tutancâmon chegou ao trono aos 9 anos e morreu aos 19, sem haver conseguido ter descendência antes de começar a converter-se em um personagem muito incômodo para as ambições de seu entorno imediato, acostumados a governar o Egito em seu lugar e desejosos de continuar governando, afirma Vanoyeke. Sua jovem viúva e meio irmã, Ankhesenamon - filha mais nova de Nefertiti, na opinião da romancista, - também continuou tentando procriar com rapidez, "mas o príncipe hitita com o qual quis contrair segundas núpcias foi assassinado por ordem de Horemheb" e, seguramente, ela também em seguida, acrescentou.

A escritora, cujas obras enchem as estantes de romances sobre o Egito nas livrarias, junto com as de Christian Jacq, afirma basear-se "sobre pontos extremamente precisos, históricos e científicos". Suas revelações se inscrevem dentro de uma série de vinte e um títulos sobre as grandes figuras da XVIII dinastia, dividida em trilogias, algumas delas já publicadas e que pensa concluir com as dedicadas a Horemheb e Ay.

A maldição da tumba
A infame maldição da tumba da múmia do faraó Tutancâmon, que supostamente teria matado muitas das pessoas envolvidas na abertura da tumba do faraó há 80 anos, é um mito, de acordo com pesquisadores australianos.

O British Medical Journal publicou um estudo que descobriu que, ao contrário da lenda que se criou em torno da múmia de Tutancâmon, a maior parte dos presentes durante a abertura de sua tumba, em 1922, viveu por muito tempo. Leia mais

A verdadeira face do faraó
Cientistas e artistas de efeitos especiais na Grã-Bretanha e na Nova Zelândia usaram técnicas digitais aplicadas em investigações de crime para fazer um modelo em fibra de vidro que, segundo eles, resulta na aparência mais provável do faraó. A cabeça de Tutancâmon lembra pouco a face da máscara dourada. Ao contrário do famoso rosto de traços leves e lábios grossos, o modelo mostra um jovem com o rosto amplo, proeminências abaixo dos olhos e testa pesada. Leia mais

Trabalho semelhante foi feito com a rainha Nefertiti, mãe de Tutancâmon para alguns especialistas, madrasta do faraó para outros. Nefertiti foi uma das mulheres mais importantes do Antigo Egito. A equipe da arqueóloga britânica Joann Fletcher, que diz ter localizado a verdadeira múmia da rainha, reconstruiu por computador o que se acredita ter sido o rosto de Nefertiti.

A verdadeira identidade da múmia localizada pela arqueóloga ainda não foi comprovada e é alvo de polêmica. O diretor do Conselho Supremo de Antigüidades do Egito, Zahi Hawas, nega a afirmação. Segundo ele, pela localização, é impossível que o corpo encontrado seja o de Nefertiti. Leia mais

Redação Terra
 
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