Componente da maconha combateria a depressão

23 de outubro de 2007 • 23h47 • atualizado em 24 de outubro de 2007 às 07h27

Um ingrediente ativo da maconha ajuda a combater a depressão quando administrado em pequenas doses, indica um estudo divulgado pela revista The Journal of Neuroscience em sua edição desta quarta-feira.

No entanto, a pesquisa alerta que o aumento da dose pode provocar um efeito contrário, aumentando a depressão e até causando transtornos psíquicos, entre eles a psicose.

Segundo os cientistas do Centro de Pesquisas da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, esta é a primeira prova de que o canabinóide identificado como WIN55,212,2 pode aumentar os níveis de serotonina. O neurotransmissor atua regulando os estados de ânimo.

Os efeitos foram constatados em experimentos com animais de laboratório que receberam injeções da substância, obtida de forma sintética. Em seguida, eles foram submetidos a testes para determinar seu nível de depressão.

Os cientistas observaram que o efeito antidepressivo do canabinóide era paralelo a uma maior atividade dos neurônios que produzem a serotonina. No entanto, quando as doses aumentaram, os benefícios mudaram totalmente, relatou Gabriella Gobbi, membro da equipe de pesquisadores.

As doses baixas tiveram um potente efeito contra a depressão. Mas, quando aumentaram, a serotonina em ratos se reduziu a níveis inferiores aos do grupo de controle, explicou.

"Demonstramos um efeito duplo: em dose baixas, aumenta a serotonina. Mas em dose maiores o efeito se reverte e é completamente devastador", acrescentou.

Segundo a cientista, esse tipo de efeito da maconha já tinham sido detectado em pacientes de esclerose múltipla e aids, que ao consumir a droga tinham mostrado uma mudança de estado de ânimo. O estudo alertou para os riscos no uso da maconha como antidepressivo, porque é difícil controlar suas quantidades.

"O uso excessivo da maconha por pessoas com depressão cria um alto risco de psicose", afirmou Gobbi.

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