Identificado meteoro que extingüiu os dinossauros

05 de setembro de 2007 • 13h26 • atualizado em 06 de setembro de 2007 às 10h09
Simulação mostra o momento de ruptura do asteróide localizado nos confins do Sistema Solar Foto: EFE
Simulação mostra o momento de ruptura do asteróide localizado nos confins do Sistema Solar
05 de setembro de 2007
Foto: EFE

Uma colisão de dois asteróides entre Marte e Júpiter, há 160 milhões de anos, enviou enormes rochas na direção da Terra, incluindo uma que levou à extinção dos dinossauros, disseram cientistas nesta quarta-feira.

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Isso explicaria um dos fatos mais impressionantes da história da vida na Terra - a queda de um meteorito de 10 km de diâmetro na península do Yucatán (sudeste do México), 65 milhões de anos atrás.

Essa catástrofe acabou com os dinossauros, que haviam dominado o mundo por cerca de 165 milhões de anos, e outras formas de vida. Esse vácuo, segundo especialistas, propiciou o desenvolvimento dos mamíferos e, mais tarde, do ser humano.

O impacto deve ter provocado um cataclismo ambiental em todo o mundo, expelindo enormes quantidades de rocha e poeira nos céus, provocando gigantescos tsunamis e incêndios globais. Isso teria feito com que a Terra passasse anos na escuridão.

Usando simulações em computadores, cientistas checos e norte-americanos estimaram em 90% a probabilidade de que a colisão de dois asteróides - um com cerca de 170 km de diâmetro, outro com cerca de 60 - tenha sido o fato que precipitou o desastre na Terra.

A colisão ocorreu no cinturão de asteróides, uma coleção de grandes rochas que orbitam o Sol a cerca de 180 milhões de km da Terra, segundo o estudo publicado nesta semana na revista Nature. O asteróide Baptistina e os destroços a ele associados supostamente são restos desse choque, segundo os cientistas.

Parte dos destroços da colisão escapou do cinturão de asteróides, mergulhou em direção ao centro do Sistema Solar e acabou atingindo a Terra e a Lua, além de provavelmente Marte e Vênus, segundo William Bottke, do Instituto de Pesquisas do Sudoeste dos EUA, em Boulder, Colorado.

Durante algum tempo, essa colisão deve ter dobrado o número de impactos ocorridos nessa parte do Sistema Solar. Na verdade, embora o auge desse fenômeno tenha se dado há 100 milhões de anos, os cientistas dizem que ainda há uma "garoa" residual de detritos espaciais devido àquela colisão.

"Imagine a quebra de um enorme rochedo no alto de um morro, e todos os fragmentos rolando morro abaixo. E em algum lugar ao pé do morro está uma aldeia chamada Terra", comparou Bottke em entrevista telefônica.

O meteorito que caiu no Yucatán teria aberto a cratera chamada Chicxulub, que tem cerca de 180 km de diâmetro. Os pesquisadores examinaram a composição desse meteorito e concluíram que ela é condizente com o rochoso Baptistina.

Eles estimam em 70% a probabilidade de que Tycho, uma cratera lunar de 85 km de diâmetro formada há 108 milhões de anos seja resultado de restos de uma colisão espacial anterior.

Philippe Claeys, da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, que não participou do estudo, disse por e-mail que as conclusões são "uma clara evidência de que o Sistema Solar é um ambiente violento e que as colisões que ocorrem no cinturão de asteróides podem ter grandes repercussões para a vida na Terra".

Bottke enfatizou esse ponto. "Os dinossauros estavam aí durante muitíssimo tempo, então é provável que ainda estariam se aquele fato nunca tivesse ocorrido. A humanidade era inevitável? Ou a humanidade é apenas algo que aconteceu de surgir por causa dessa sequência de fatos que ocorreram na hora certa. É difícil dizer."

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