Lavar o pênis após sexo aumentaria risco de aids

24 de agosto de 2007 • 08h54 • atualizado às 10h37

Lavar o pênis logo após uma relação sexual pode elevar o risco de contrair o vírus HIV em homens não circuncidados, indicou uma pesquisa realizada em Uganda, informou o jornal The New York Times. O trabalho foi apresentado pela equipe do médico Fredrick Makumbi na Conferência sobre Patogênese e Tratamento do HIV, realizada julho, na Austrália. No mesmo evento, o cientista americano Robert Bailey defendeu a circuncisão como forma de evitar o contágio de milhões de pessoas.

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Segundo Makumbi, o perigo de infecção é maior ao lavar o pênis nos 10 primeiros minutos após o término da relação. "Aguardar 10 minutos antes de tomar banho diminui a incidência de infecção em até 20%", disse o pesquisador. No seu estudo, ele também defende que quanto mais água é usada, maior é o risco de contágio. Ele especula que isso aconteça porque o órgão não seca de forma adequada, aumentando a chance de que células inflamem e se tornem mais vulneráveis à infecção do vírus da aids.

"Usar sabão e água, ou outros desinfetantes para lavar o pênis após a relação pode ajudar o HIV a chegar no sangue por meio de pequenos ferimentos", afirmou Makumbi, que é médico do Instituto de Saúde Pública da Universidade Makerere. O resultado surpreendeu até mesmo o time de pesquisadores, pois aponta o contrário sobre a limpeza genital como uma forma de evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis.

Pesquisa

Makumbi estudou 2.552 homens não circuncidados no distrito de Rakai, em Uganda. Os homens tinham idade entre 15 e 49 anos, não eram circuncidados e não estavam infectados com o HIV quando se cadastraram na pesquisa. Mais de 80% disseram que se lavavam depois da relação sexual com qualquer que fosse o parceiro. Os pesquisadores questionaram quando e como os homens se lavavam após as relações no momento do cadastro e seis, 12 e 24 meses depois.

Os homens que se lavavam no intervalo de três minutos após a relação tinham cerca de 2% de risco de infecção em comparação com 0,4% entre os que atrasavam a lavagem para 10 minutos após o sexo. Além de usar camisinha, a sabedoria popular e os ensinamentos de muitos especialistas até então sugeriam lavar o órgão sexual não só com sabão e água, mas também com vinagre e limão, como um método de matar o vírus HIV. Tal prática é muito comum na África.

Makumbi também sugere que a higiene depois do ato sexual pode remover enzimas do fluído vaginal que ajudam a neutralizar o HIV. "No momento, a circuncisão, e não a higiene, deveria ser nossa prioridade para prevenir o contágio do vírus da aids", afirmou.

Redação Terra
 
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