Pesquisadores mapeiam nascente do rio Amazonas

09 de junho de 2007 • 14h41 • atualizado às 16h44
Vista da lagoa Chycla, nas proximidades do paredão do Mismi, no Chile Foto: Oton Barros/DSR/INPE/Divulgação
Vista da lagoa Chycla, nas proximidades do paredão do Mismi, no Chile
09 de junho de 2007
Foto: Oton Barros/DSR/INPE/Divulgação

Marcelo Pedroso
Direto de São José dos Campos

São Paulo


Foram necessários seis dias e cinco noites em meio a um clima inóspito, a 5,6 mil m de altitude, para que a primeira expedição científica brasileira consolidasse a localização da nascente do rio Amazonas na cordilheira de Chila, nos Andes do sul do Peru.

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Os dados coletados indicam que a principal vertente começa no Nevado Mismi a partir da Quebrada (córrego) Apacheta. Entre a nascente e o oceano Atlântico, o curso d'água ganha os nomes de Lloqueta, Apurimac, Ene, Tambo, Ucayali, Solimões e Amazonas.

Segundo os pesquisadores, com esta localização o rio pode chegar a 6.850 km de extensão, embora seu comprimento possa variar ano a ano com os meandros da planície amazônica.

"Atualmente, nós do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), trabalhamos e testamos a hipótese que o curso principal formador do Amazonas é a vertente da Quebrada Apacheta. É uma especulação fundamentada", disse Oton Barros, que integra a Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe e que participou da expedição.

Os trabalhos desenvolvidos pelo pesquisador no local incluíram estudos com imagens de satélite e modelos de elevação digital do terreno gerados com radar orbital.

Dificuldades

Barros destaca como principal dificuldade da missão a combinação de altitude e clima. "É quase como uma missão espacial. Ficamos sujeitos à confusão mental devido ao ar rarefeito."

Os integrantes da expedição passaram por um processo de aclimatação Na cidade de Chivay no dia 23 de maio. Dois dias depois, seguiram em veículos 4x4 até a encosta nordeste da Cordilheira de Chila, a cerca de 5 mil m de altitude, para a montagem do acampamento base 1. Durante sete dias, foram realizadas caminhadas para pontos diferentes da cabeceira do sistema.

Segundo Barros, esta foi a primeira de uma série de expedições para avaliar a vazão do curso d´água durante outros períodos do ano. "O plano é de uma nova expedição em setembro, no período de seca."

Outra possibilidade de estudo, que tem o apoio do governo peruano, é a instalação de PCD's (Plataforma de Coleta de Dados) automáticas em diversos pontos para evitar a necessidade de deslocamentos mais freqüentes à região da nascente. "Agora entendo como são tão poucos os estudos deste local, ele não é inacessível, é inabitável", disse o pesquisador do Inpe.

Grupo

O grupo foi formado por pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ANA (Agência Nacional de Águas) e representantes do IGN (Instituto Geográfico Nacional) do Peru. A expedição foi organizada pela RW Cine, dos documentaristas Paula Saldanha e Roberto Werneck.

"Estivemos em 1994 na verdadeira nascente do Amazonas como jornalistas. Há 12 anos, tentamos mobilizar as instituições brasileiras para corrigir esse erro histórico. O Brasil ainda publica mapas que mostram o Amazonas nascendo no norte do Peru e ainda ensinam que é o segundo rio mais longo do mundo", disse Paula.

Polêmica

A localização da nascente, a cerca de 1 mil km no sentido sul da cabeceira do rio Marañon, faz com que o rio Amazonas supere o Nilo, com 6.695 km, também em extensão.

Esta foi a primeira expedição à nascente do Amazonas com pesquisadores brasileiros. A National Geographic Society vem realizando pesquisas desde a década de 70, além de ter promovido em 2000 uma expedição à região em conjunto com a Smithsonian Institution.

Redação Terra
 
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