Estudo aprova medicamento para ejaculação precoce

08 de setembro de 2006 • 07h28 • atualizado às 07h28

Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, anunciaram ter comprovado a eficácia e a segurança do primeiro medicamento especialmente desenvolvido para tratar da ejaculação precoce.

Em um estudo publicado na revista médica The Lancet , o cientistas descrevem que a substância ativa da droga, a dapoxetina, aumenta de três a quatro vezes a duração de uma relação sexual.

A ejaculação precoce é um problema que afeta cerca de 30% dos homens, e não existem medicamentos contra o problema no mercado.

O tratamento normalmente envolve aconselhamento psicológico e o uso de antidepressivos da família da dapoxetina, os chamados inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRI, na sigla em inglês).

Alguns especialistas, no entanto, já expressaram preocupação com o uso desses antidepressivos, por causa dos efeitos colaterais que eles provocam, como alteração no peso e reações cutâneas.

A dapoxetina não é tão forte quando os demais SSRI usados contra a depressão, e foi especialmente criada para tratar a ejaculação precoce.

Segundo os cientistas, ela pode ser usada cada vez que for necessária e dispensa a ingestão por um tempo prolongado.

Três minutos
Na pesquisa da Universidade de Minesotta, os estudiosos combinaram dois testes com o medicamento. Foram analisados mais de 2,6 mil homens com problemas de ejaculação precoce em grau moderado a grave. Eles receberam dosagens de 30 mg ou 60 mg de dapoxetina, ou ainda um placebo.

No início do estudo, em média, esses homens ejaculavam menos de um minuto após a penetração. Doze semanas depois, esse tempo subiu para 1min45 naqueles que tomaram placebo, 2min47 entre os que foram medicados com 30 mg de dapoxetina, e 3min19 nos que ingeriram 60 mg da droga.

"A dapoxetina também melhorou a percepção dos pacientes no controle da ejaculação e sua satisfação com a relação sexual", afirmou Jon Pryor, coordenador da pesquisa.

"Suas parceiras também se beneficiaram, sentindo-se mais satisfeitas com a relação sexual", explicou Pryor.

"Segura"
A dapoxetina foi desenvolvida pela Alza Corporation, uma afiliada da Johnson & Johnson, mas o uso da droga ainda não foi liberado em vários países.

Mesmo assim, em um editorial que acompanhou o artigo na The Lancet , o urologista italiano Francesco Montorsi afirmou que o medicamento se mostrou seguro e tolerável.

"A esperança é de que a dapoxetina se torne uma droga importante para oferecer aos pacientes que sofrem de ejaculação precoce", afirmou.

Organizações que lidam com a saúde masculina elogiaram os testes. "Realmente existem poucos tratamentos para o problema, então qualquer medicamento que ajude é bem-vindo", disse Peter Baker, do Forum para a Saúde do Homem.

"Mas temos que nos lembrar que um dos maiores obstáculos ao tratamento é convencer os homens a procurar ajuda", afirmou. "Muitos ainda se sentem envergonhados em falar com seus médicos sobre o assunto."

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