Sexo no espaço intriga pesquisadores

24 de julho de 2006 • 23h22 • atualizado em 25 de julho de 2006 às 00h08

Manter relações sexuais no espaço, situação fictícia que integra lendas urbanas e fantasias sexuais, também está entre as preocupações dos cientistas. Em conferência realizada neste domingo, intitulada Space Frontier Foundation's NewSpace 2006, o físico da Nasa Jim Logan e outros palestrantes revelaram que o estudo do sexo e de outras necessidades biológicas no espaço será crucial para o conhecimento da humanidade.

"Sexo no espaço não é apenas uma boa idéia, pois trata-se de uma questão de sobrevivência", disse Vanna Bonta, uma escritora que, em sua novela Flight (Vôo), mistura romance, viagens espaciais e pitadas de física quântica. O tema que apimenta a literatura de Vanna vem servindo como fonte de rumor e especulação há muito tempo: anos atrás, por exemplo, um autor afirmou que a Nasa havia conduzido um estudo sobre comportamento sexual durante a missão de um ônibus espacial, dando origem a uma série de negações da agência espacial.

De acordo com o site MSNBC, o polêmico assunto está vindo à tona novamente por uma série de razões - incluindo desde a publicação no próximo mês do livro "Sex in Space" (Sexo no Espaço), de autoria de Laura Woodmansee até os planos ambiciosos do bilionário Robert Bigelow, que deseja abrigar pesquisas sobre propagação animal em seus módulos espaciais comerciais.

Na próxima década, a empresa do magnata, a Bigelow Aerospace, prevê disponibilizar um complexo hoteleiro em órbita. "Um lugar onde as pessoas provavelmente estarão se divertindo e fazendo sexo", acrescenta a escritora Vanna Bonta, a célebre autora de Flight.

Sua colega Laura Woodmansee endossa os argumentos de Vanna e vai além, alegando que o sexo poderia configurar-se como um atrativo a mais no turismo espacial. Entretanto, os adeptos do romantismo extra-terreno terão de lidar com algumas questões. De acordo com Vanna Bonta, o sexo no espaço poderia ser "mais quente e molhado" do que as convencionais relações terrenas por conta da falta de gravidade no espaço, característica que não possibilita a condução de calor pelo corpo.

Os cientistas descobriram que o ser humano tende a transpirar mais na microgravidade. Na ausência de gravidade, a mecânica do sexo é mais complicada. Vanna revela que até mesmo beijar no espaço é algo ameaçador. "Certa vez beijei meu esposo em uma simulação de vôo com gravidade zero. É preciso lutar para se unir ao parceiro e assim permanecer", explica.

Os casais teriam de ser pregados à parede ou então um ao outro. A fim de tornar possível esse desejo, Vanna investiu na elaboração de um traje especialmente equipado por velcros e zíperes. A estudiosa acrescenta ainda que os homens poderiam notar uma considerável diminuição no tamanho do pênis, em razão da diminuição na pressão sangüínea que acomete os humanos na microgravidade.

Os românticos que sonham em fazer amor no espaço também precisariam precaver-se contra algumas doenças comuns no espaço. Por todas estas razões, o físico Logan acredita que o sexo no espaço poderia ser um pouco desconfortável. "É um ambiente muito bagunçado e para toda reação há reação oposta, porém equivalente. Eu posso imaginar, entretanto, o quanto esse tipo de relação possa parecer inspiradora e estimulante a algumas pessoas", teoriza.

Bonta sugere que uma lua-de-mel em um hotel especial poderia oferecer ambientes especialmente equipados para proporcionar conforto aos freqüentadores, a exemplo de "salas-hidro", preenchidas por gotas flutuantes de água fresca ou por óleo aromatizado.

A questão sobre o que acontece com após o sexo é mais crucial para aqueles preocupados com o futuro das gerações que talvez possam ter acesso a essas novidades. Estudos indicam que a falta de gravidade poderia causar todos os tipos de problemas ao desenvolvimento de fetos.

Logan notou que a formação das conexões neurais - um processo que continua mesmo após o nascimento - requere movimento sob a pressão da gravidade. O físico da Nasa não demonstra tanta preocupação com as primeiras semanas de gravidez, mas sim com a 26ª semana de gestação. "Isso tem implicações significantes para a colonização do sistema solar", acrescentou, explicando que a geração de vida seria impossível sem a ocorrência de algum nível de gravidade.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »