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Genoma sequenciado da pulga d'água pode ajudar a combater riscos ambientais

3 fev 2011
21h15

Cientistas sequenciaram pela primeira vez o genoma da pulga d''água, a "Daphnia pulex", um importante organismo para a ciência ambiental que pode se transformar em um aliado contra a contaminação das águas, informou nesta quinta-feira a revista "Science".

Daphnia se transformou no primeiro crustáceo em ter seu genoma sequenciado, que para surpresa dos cientistas é mais rico do que qualquer outra espécie conhecida, com 31 mil genes, - um terço com função desconhecida -, enquanto os humanos têm 23 mil.

O grande número de genes identificados se deve a que alguns estão duplicados, o que poderiam ter um papel fundamental na habilidade de Daphnia para adaptar-se e se transformar.

Este é o resultado de 10 anos de colaboração entre o Consórcio Daphnia Genômica, o Departamento de Energia dos Estados Unidos e o instituto de pesquisa Joint Genome Institute (JGI).

As agências ambientais buscaram um "sistema modelo" aquático capaz de detectar a presença de produtos químicos nocivos e que extrapolando suas capacidades pudesse atuar como "sentinela" da poluição.

Classificado como uma espécie nos ecossistemas de água doce, a pulga d''água é transparente, tem um ciclo de vida curto e reage facilmente às mudanças ao seu redor.

Os cientistas destacam sua capacidade para desenvolver características como espinhos protetores nas caudas e dentes no pescoço.

Os autores assinalam que seu genoma sequenciado ajudará a entender melhor como os organismos, particularmente os habitantes de água doce, respondem às mudanças ambientais.

John Colbourne da Universidade de Indiana e diretor do projeto fala do uso potencial de Daphnia "como uma versão de alta tecnologia do canário de mina" que se empregava para detectar gás tóxico.

"Nossos estudos iniciais revelaram que os genes de Daphnia evoluíram para ajustar-se às mudanças ambientais", por isso poderia atuar como "um detector precoce dos riscos ambientais" ao iniciar suas mudanças.

EFE   

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