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Fukushima luta para conter os vazamentos radioativos para o mar

11 nov 2013
10h17

Para conter um dos principais problemas em Fukushima, os vazamentos de água radioativa para o mar, os técnicos da central nuclear lutam em três frentes em que cada pequeno avanço é fundamental para frear o alcance do desastre ecológico.

O acidente - o pior desde o de Chernobil (Ucrânia, 1986) - provocado pelo terremoto e tsunami de 2011, deixou imersas no silêncio as duas cidades vizinhas, Okuma e Futaba.

Hoje, um manto invisível de isótopos radioativos recobre exuberantes florestas e arrozais, transformados em frondosos pastos silvestres.

Cerca de 52 mil casas dessa região (localizadas entre 10 e 15 km no entorno da usina) continuam vazias. A maioria da população, agricultores e criadores de gado, não poderá voltar nunca mais para viver nesta terra envenenada.

Além das emissões tóxicas dos reatores, há ainda as 300 toneladas de água contaminada. Acredita-se que a cada semana deságue do píer central, diretamente no oceano Pacífico, o equivalente a uma piscina olímpica.

A origem desse fluxo venenoso, ainda não controlado mesmo dois anos e meio após o desastre, é o vazamento de tanques de armazenamento de refrigeração de água tóxica estagnada em prédios dos reatores.

O antídoto para diminuir a toxicidade de todo esse líquido, encomendado pela operadora de Fukushima, a Tokyo Electric Power (Tepco), está guardado em um hangar que foi liberado para para uma visita guiada da imprensa internacional recentemente.

O lugar guarda o Sistema Avançado de Processamento de Líquidos (ALPS), que retira da água 62 tipos de materiais radioativos (a exceção do trítio, terceiro isótopo do hidrogênio e o menos abundante) com plena capacidade de tratar até 750 toneladas por dia.

A Tepco espera conseguir colocar a 'supermáquina' para funcionar ainda neste mês. Além disso, planeja outras duas unidades para limpar até duas mil toneladas diárias.

Apesar dos problemas mecânicos sofridos pelo ALPS, o diretor da fábrica, Akira Ono, afirmou que prevêem "ter toda a água da fábrica purificada até março de 2015".

A segunda frente na qual a Tepco concentra os seus esforços é o armazenamento das 370 mil toneladas de água que usou para esfriar os reatores após o acidente, que fica contaminada ao entrar em contato com os núcleos.

Em agosto, um dos mil tanques que armazenam este líquido altamente radioativo deixou escapar 300 toneladas. Parte desse material foi parar no mar através de uma vala.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) qualificou esse fato como um "incidente sério" (o nível três de gravidade dentro de uma escala de sete) e destacou que irá vigiar a usina Tepco, que foi duramente criticada por sua gestão da crise.

O espaço que ocupava o tanque defeituoso está agora coberto por um plástico para evitar que a chuva faça com que os materiais poluentes penetrem ainda mais na terra.

Também foi duplicada a altura (de 30 para 60 centímetros) dos amortecedores metálicos que impedem que as precipitações arrastem a radiação para um canal de desaguamento próximo, já que esse desemboca no mar, que, por sua vez, está infestado de mangueiras de bombeamento e sacos para bloquear o leito.

A usina não para de derrubar árvores para abrir espaço para novos contêineres e dobrar sua capacidade de armazenamento, enquanto substitui as 350 cisternas que tem o mesmo modelo que o tanque defeituoso.

Na terceira frente de batalha, o píer central, a altíssima radiação impediu que fossem retirados os cascalhos, o metal retorcido e os veículos que o tsunami levou.

Essa área emitiu a leitura mais alta durante a visita. Foram 820 microsieverts (unidade usada para avaliar os efeitos biológicos da radiação) por hora, cerca de 70 vezes acima do que é considerado um nível saudável.

Isso não impede que vários trabalhadores, usando roupas e máscaras protetoras, construam sistemas de bombeamento e barreiras que evitem que a água que se acumule nos prédios dos reatores chegue até o mar.

O fluxo é produto dos vazamentos de água usada para manter os reatores atômicos resfriados e dos aquíferos naturais que penetram nos porões.

Isso poderia ser corrigido com um procedimento, ainda em preparação, que consiste em congelar o subsolo em torno dessas construções.

Enquanto isso, na frente dos reatores foi levantada uma barreira de dois metros de altura à base de sacos de pedras para proteger a usina de uma aterrorizante possibilidade: um novo tsunami.

EFE   
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