Ciência

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01 de junho de 2011 • 09h01 • atualizado em 05 de Junho de 2011 às 15h20

Europa: variante de bactéria achada no nosso corpo causa mortes

A bactéria Escherichia coli é comumente encontrada no corpo humano, no nosso aparelho digestivo. São apenas alguns genes que separam a variedade inofensiva daquela que causa preocupa a Alemanha, após causar mortes no país nos últimos dias, chamada de Escherichia coli enterohemorrágica.

Segundo o professor Wanderley Dias da Silveira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), esses poucos genes dão as características perigosas à variedade - como a capacidade de se prender às células intestinais. Além disso, a bactéria produz uma toxina que pode causar trombos (coágulos no sangue) e, ao chegarem aos rins, esses trombos podem causar insuficiência renal aguda, o que pode causar a morte do paciente.

A enterohemorrágica possui uma dose infectante baixa (apenas 100 bactérias são suficientes para deixar uma pessoa doente), com tempo de incubação de entre três e quatro dias.

Como diferenciar
Segundo o professor, existem outros tipos de E. coli que podem levar à morte, e outros não tão perigosos. A E. coli é responsável, por exemplo, por entre 80% e 90% dos casos de infecção do trato urinário, mas sem causar risco à vida do paciente.

Outra variedade, mais grave, pode causar meningite em crianças com até 5 anos - mas Silveira destaca que, atualmente, esse tipo é bem raro. Outro tipo perigoso para crianças é a enteropatogênica, bem mais comum, inclusive no Brasil.

Mas como saber a diferença entre as variedades? Silveira explica que o sintoma mais comum das variedades perigosas, com exceção da meningite, é diarreia com presença de sangue nas fezes. Os demais sintomas são dor abdominal e febre baixa (que nem sempre é presente nos pacientes).

Como evitar
A enterohemorrágica pode ser encontrada em todo o mundo, inclusive no Brasil, e a simples higiene pode evitar a contaminação, já que a bactéria - em todas suas variações - é transmitida por fezes, seja de animais ou do ser humano. "Medidas básicas de higiene tais como lavar as mãos após ir ao sanitário, ingerir alimentos processados de maneira adequada (cozidos, fritos ou pasteurizados, por exemplo), evitar contato pessoa a pessoa com mão contaminada, ajudam a minimizar o risco de possíveis infecções", diz o professor.

Silveira explica ainda que os alimentos orgânicos não aumentam a chance de transmissão da E. coli. Segundo ele, qualquer alimento que não passe por um processo de higienização, vegetais que não forem limpos, por exemplo, pode transmitir a bactéria. No caso da Alemanha, o surto teria sido causado a partir de pepinos contaminados.

Terra