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Quer ser um astronauta? Veja dez passos

Nasa

Ter cidadania americana, currículo invejável e muito dinheiro são caminhos possíveis

19 nov 2014
07h34
atualizado às 07h36
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Quem se empolgou com o pouso do robô Philae na superfície de um cometa a 500 milhões de quilômetros da Terra deve ter pensado em como seria se tornar um astronauta. Seja pelo salário - um astronauta da Nasa ganha a partir de 64 mil dólares (R$ 167 mil) por ano - ou pela experiência de viver fora de órbita.

O problema é que, por enquanto, não há interesse em financiar outro astronauta brasileiro para pesquisa, de acordo com a própria Agência Espacial Brasileira (AEB). Mas há outros caminhos. Veja dicas a seguir.

1. Fique atento a uma vaga

<p>Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro</p>
Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro
Foto: Talita Zaparolli / Especial para Terra

Marcos Pontes, o primeiro e único astronauta brasileiro, soube por um email do irmão que a Agência Espacial Brasileira (AEB) selecionaria um astronauta para a National Aeronautics and Space Administration (Nasa).

A AEB informou ao Terra que “não há interesse em formar astronautas no Brasil” atualmente. No entanto, a seleção vencida por Pontes em 1998 tinha as mesmas exigências daquela feita pela Nasa - pois o astronauta brasileiro iria representar a agência norte-americana. Se uma vaga aparecer, é preciso estar preparado.

2. Na medida certa

Não é errado dizer que tem gente que nasce para ser astronauta. Existem parâmetros até para o corpo dos candidatos. A altura - que lá em 1959 não podia passar de 1,80m - tem de estar entre 1,57m e 1,90m. Outro fator eliminatório é a pressão arterial, que, com a pessoa sentada, não pode exceder 140/90.

Já a visão deve ser normal em ambos os olhos - ou seja, ser capaz de enxergar claramente a uma distância de seis metros. Pessoas que tenham passado por cirurgias para corrigir a visão podem participar, desde que o procedimento tenha acontecido há pelo menos um ano, sem efeito adverso.

3. Civil ou militar

Para a sua primeira missão espacial tripulada em 1961, a Nasa pediu às Forças Armadas dos Estados Unidos uma lista de membros que combinassem experiência de voo, formação em engenharia e altura máxima de 1,80m (para que ele coubesse na cabine). Três militares da Aeronáutica e quatro da Marinha foram selecionados, entre 500 nomes possíveis.

A boa notícia é que hoje a Nasa aceita civis como astronautas hoje - vale lembrar que a carreira de astronauta é civil. Na última seleção, em 2013, a Nasa analisou mais de 6,1 mil currículos para oito vagas. Entre os escolhidos, estavam seis militares e dois civis. 

4. Vire americano

Um desafio para os futuros astronautas brasileiros da Nasa é o fato da agência aceitar apenas candidatos nascidos nos Estados Unidos ou com dupla nacionalidade. Por isso, se tornar um cidadão americano foi a alternativa adotada pelo peruano Carlos Noriega, pelo australiano Andrew Thomas e pelo argentino Fernando Caldeiro.

Mas a própria Nasa alerta em sua página: “Não é recomendável que você mude sua cidadania apenas com o intuito de ser elegível para o Programa de Candidatura a Astronauta”. As seleções são raras, e a concorrência é grande, como os números indicam - o que leva ao próximo passo.

5. Invista no currículo

Para ter um currículo válido para a Nasa, é preciso ter diploma em Engenharia, Ciências Biológicas, Astronomia, Física, Química, Psicologia ou Matemática. Além disso, o candidato deve ter três anos de experiência profissional ou mil horas pilotando um avião a jato. Para fechar a conta, um mestrado equivale a um ano de atuação profissional, enquanto que um doutorado elimina esse pré-requisito. Nem é preciso dizer que ser fluente em inglês é fundamental. Quem sobreviver à análise de currículo passará por uma semana de entrevistas.

6. Testes na água

Pronto, você passou por uma das maiores seleções de emprego, tem um currículo invejável e até se tornou conhecido na imprensa por sua trajetória de sucesso e superação - significa que é hora de ir ao Johnson Space Center, em Houston, Texas. São dois anos de preparação, que incluem um treinamento militar de sobrevivência na água no primeiro mês.

Para começar, os alunos nadam três voltas sem parar em uma piscina de 25 metros. Depois, é só repetir a façanha - vestindo o traje completo de voo. Outro teste envolve ficar saltando na piscina por dez minutos, tudo para simular um ambiente de menor gravidade. Para simular emergências, são expostos a ambientes de baixa ou alta pressão. Técnica de mergulho também faz parte do treinamento.

7. Testes no ar

<p>A sonda europeia Philae realizou um pouso inédito em um cometa a 500 milhões de quilômetros da Terra</p>
A sonda europeia Philae realizou um pouso inédito em um cometa a 500 milhões de quilômetros da Terra
Foto: ESA / Reuters

Após vencer essa etapa, os novos astronautas participam de viagens em aviões a jato, que conduz manobras que simulam um ambiente de microgravidade. Cada simulação dura 20 segundos, e as manobras são repetidas até 40 vezes por dia.

Para pilotar a nave espacial, são necessárias 15 horas de voo por mês. E até quem não pretende pilotar nada, não escapa: por pelo menos 4 horas por mês passa pelo mesmo treinamento, caso algo dê errado na viagem.

8. Trabalhe sua memória

Desde o começo do treinamento, os astronautas precisam conhecer cada detalhe da nave e de seus equipamentos. Eles devem saber o que são, para que servem, como operá-los, como detectar erros e corrigi-los. Quando estão em missão, há ainda exigências e objetivos para conhecer. Por isso, uma boa memória ajuda a ter sucesso e, principalmente, manter todos a salvo.

9. Tenha sorte (e um pouquinho de lógica)

Se todos esses passos foram desanimadores para você, mantenha a calma: existem outras duas maneiras de ir ao espaço. A primeira é fazer como Pedro Henrique Doria Nehme, estudante de Engenharia Elétrica na Universidade de Brasília (UnB) e bolsista da Agência Espacial Brasileira (AEB). Depois de ganhar um concurso na internet, Nehme se tornará o primeiro civil brasileiro a ir ao espaço.

Em abril de 2013, um anúncio da companhia aérea KLM no Youtube lhe chamou a atenção. Ele precisava indicar em que local um balão lançado no Deserto de Nevada, nos Estados Unidos, iria explodir. O regulamento não indicava dados suficientes para que alguém calculasse o lugar exato. Nehme contou com a sorte - e com um pouco de lógica.

Durante estágio na Nasa, em 2012, Nehme trabalhou com balões de alta altitude, o que teria contribuído para suas chances no concurso. “Tem muita gente que não faz ideia da altitude que um avião voa, muito menos que um balão de alta altitude ultrapassa essa altura e vai voar na casa dos 35 quilômetros”, explica. “Eu eliminei o absurdo. Mas mesmo assim, existia uma infinidade de opções.”

10. Guarde (muito) dinheiro

O brasileiro Pedro Nehme viajará ao espaço em 2015, a bordo de uma nave Lynx, ainda em desenvolvimento pela empresa XCOR Space Expeditions (XCOR). Será um voo comercial - ainda que o brasileiro pretenda carregar um experimento consigo, para dar à viagem um caráter científico.

O turismo espacial é uma maneira cômoda e cara de se tornar um astronauta. A agência espacial russa (Roscosmos), por exemplo, destinou sete assentos a turistas a partir da década de 1990, quando enfrentava crise financeira. Os viajantes desembolsaram milhões pelo passeio. 

Tanto a XCOR, quanto a concorrente Virgin Galactic, querem baratear - na medida do possível - o preço das viagens espaciais. O voo de Nehme, por exemplo, custaria em torno de 100 mil dólares. É o preço para avançar as casas do tabuleiro.

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Fonte: Terra
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